Light pede fim da recuperação judicial e anuncia aumento de capital

Companhia afirma ter cumprido as principais obrigações previstas no plano homologado em junho de 2024

Patrick Palhares, da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A Light, concessionária de energia elétrica, anunciou ter protocolado um pedido de encerramento da recuperação judicial da companhia, afirmando ter cumprido as principais obrigações previstas no plano homologado pela Justiça do Rio de Janeiro.

A recuperação judicial da empresa teve início em 2023 e a concessionária segue um plano de recuperação homologado em junho de 2024.

O comunicado foi feito por meio de um fato relevante divulgado na noite desta quarta-feira (15). A empresa também informou que manterá o mercado e o público em geral atualizados sobre informações relevantes relacionadas ao tema.

Aumento de capital

No mesmo documento, a Light informou que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital, dentro do limite autorizado em seu estatuto social, no montante de R$ 1,5 bilhão, mediante a emissão de cerca de 238 mil novas ações ordinárias ao preço de R$ 6,29 por ação.

Com a homologação do aumento de capital, o capital social da companhia passa para R$ 6,973 bilhões, representado por 611 mil ações ordinárias.

A concessionária também informou que, como vantagem adicional às ações subscritas, foram emitidos cerca de 476 mil bônus de subscrição, que conferirão aos seus titulares o direito de subscrever uma ação ordinária de emissão da companhia para cada bônus.

Pedido de recuperação

Em 12 de maio de 2023, a concessionária divulgou aos investidores que havia entrado com um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro. Na época, a companhia citou dívidas que somavam cerca de R$ 11 bilhões e destacou que sua situação econômica havia se agravado apesar dos esforços realizados.

A companhia também afirmou, à época, que só recorreu ao pedido de recuperação judicial por conta da baixa adesão dos credores às negociações por mediação e que não havia condições de continuar as operações sem o auxílio do procedimento.

Em 18 de junho de 2024, a Justiça homologou o plano de recuperação judicial, que já havia sido aprovado em assembleia da companhia no mês anterior, com apoio dos credores, compostos principalmente por debenturistas, bondholders e bancos.

Já em maio deste ano, com a concessão renovada por mais 30 anos no Rio de Janeiro, o CEO da Light, Alexandre Nogueira, afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que esperava a conclusão do processo durante o segundo semestre de 2026.

Na ocasião, o executivo destacou que o aumento do capital social da empresa, entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão, representava a última etapa da recuperação judicial.

O encerramento do processo de recuperação judicial e o retorno da companhia ao mercado de crédito são considerados essenciais para que a empresa seja capaz de investir R$ 10 bilhões até 2030, como exige o novo contrato de concessão, que prorroga a atuação da Light em 31 municípios e atende mais de 4 milhões de unidades consumidoras no Rio de Janeiro.