PPSA programa três leilões para fornecer gás da União de 2027 a 2029
Presidente da estatal, Luis Fernando Paroli prevê entregas por ano completo a partir de 2028 e planeja futuro certame de longo prazo para atrair nova indústria

A PPSA (Pré-Sal Petróleo) tem três leilões de gás natural da União programados para fornecimento à indústria nos anos de 2027, 2028 e 2029. Em entrevista exclusiva à CNN, o diretor-presidente da estatal, Luis Fernando Paroli, afirmou que os certames serão anuais e que, a partir de 2028, as entregas deverão cobrir o ano-calendário completo, de janeiro a dezembro.
“Na verdade, nós temos três leilões já programados: o leilão do gás de 2027, o leilão do gás de 2028 e o leilão do gás de 2029. Serão leilões anuais.”
O primeiro certame já tem data marcada para 22 de outubro de 2026 e ofertará até 1,1 milhão de metros cúbicos de gás por dia, destinados à indústria de base. O fornecimento está previsto para começar em março e terminar em dezembro de 2027.
Segundo Paroli, os volumes de janeiro e fevereiro já estavam comprometidos com outros contratos quando foram estabelecidas as novas regras do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e do Ministério de Minas e Energia, o que impediu a oferta desses dois meses no primeiro leilão.
Para o gás que será entregue em 2028, a previsão do executivo é realizar o leilão em 2027, possivelmente em agosto ou setembro. Nesse caso, o fornecimento abrangerá os 12 meses do ano seguinte. A mesma lógica está prevista para o abastecimento em 2029.
“E aí será o ano-calendário completo: começará em janeiro o fornecimento e terminará em dezembro”, disse.
Segundo os cálculos de paroli, o gás deve chegar à indústria por cerca de US$ 9 por milhão de BTU, já considerando impostos, transporte e distribuição, uma economia de US$ 3 a US$ 4 por milhão de BTU em relação aos preços atualmente pagos pelas empresas.
A sequência de ofertas mantém, nessa primeira etapa, a contratação de gás para períodos anuais. A Portaria Normativa MME nº 141, de setembro de 2026, estabelece a realização de um leilão a cada ano civil, com entrega do combustível até 31 de dezembro do ano subsequente.
A distribuição inicial segue as regras estabelecidas no edital, que estabelece quantidades diferentes para os cinco setores prioritários da indústria de base: Químico e petroquímico (350 mil m²/dia); siderúrgico, metalúrgico e mineração (320 mil m²/dia); ceramista (200 mil m²/dia); fertilizantes (130 mil m²/dia); e vidreiro (100 mil m²/dia).
Gás para 2030
A programação para 2030 ainda está em aberto. Paroli afirmou na entrevista que a PPSA poderá realizar ou não uma nova rodada anual, em razão da proximidade de um futuro leilão de longo prazo. A ideia, segundo ele, é oferecer todo o gás da União em uma contratação que poderá ter duração de dez anos.
“No ano de 2030, a gente pode ou não ter o leilão, porque estará às vésperas de um outro leilão, que seria um leilão de longo prazo”, afirmou.
O objetivo dessa oferta seria estimular investimentos industriais que precisam de um horizonte maior de abastecimento. “O objetivo desse leilão de longo prazo será fomentar a instalação de uma nova grande indústria consumidora de gás aqui no Brasil.”
Na avaliação de Paroli, o mercado nacional deverá contar com novas fontes de suprimento até 2030. Ele citou a entrada da produção de Raia, a possibilidade de aumento da produção da Petrobras e a instalação de novas unidades de processamento como fatores que poderão ampliar a disponibilidade de gás.
“Então, tudo isso já vai equilibrar novamente o mercado nacional, e a gente vai poder usar o nosso gás para fazer um grande leilão, um leilão de longo prazo e mais estruturante”, disse.
Gás importado
O presidente da PPSA também apontou a possibilidade de incorporar gás de outros fornecedores aos certames, inclusive de origem importada. A resolução do CNPE permite a participação de supridores autorizados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que poderão ofertar volumes próprios aos compradores.
Segundo Paroli, esse desenho poderia incluir gás da Argentina e ajudar a criar condições para a construção de um gasoduto para o Brasil. “A gente já tem negociações, já tem conversas com a província de Neuquén”, afirmou.
As tratativas, segundo ele, têm como objetivo viabilizar a chegada desse gás ao mercado brasileiro.