Surto de Covid-19 pode levar mais pessoas a buscar asilo na UE, segundo agência

Segundo órgão europeu, os surtos de coronavírus no Oriente Médio e no norte da África poderiam contribuir com o aumento da imigração

Da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2020 às 17:49
Migrante em fronteira fechada entre a Sérvia e a Hungria, que é membro da União Europeia (UE), 06 de fevereiro de 2020.
Foto: Bernadett Szabo/Reuters


O isolamento social, implementando em diversos países devido à pandemia do novo coronavírus, diminuiu o número de candidatos a asilo que conseguem chegar à Europa. No entanto, o surto de Covid-19 pode desencadear mais chegadas no futuro, caso os tumultos se agravem no Oriente Médio e no norte da África, disse a agência de asilo da União Europeia.

Com as viagens globais praticamente suspensas, a agência disse que, no mês de março, o bloco só registrou cerca de metade dos pedidos de asilo de fevereiro. A agência de fronteiras da UE também disse que as travessias ilegais para a Europa caíram pela metade entre fevereiro e março.

Além disso, a agência constatou que os surtos de coronavírus no Oriente Médio e no norte da África podem ter como consequência a escassez de alimentos, a desestabilização da segurança e o fortalecimento de grupos armados, como o Estado Islâmico. Esses fatores, portanto, poderiam levar a "aumentos na migração relacionada a asilo no médio prazo", disse a entidade em um relatório.

"O risco de efeitos desestabilizadores resultantes de surtos de Covid-19 tem o potencial de afetar tendências futuras de asilo", afirma.

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Desde que mais de um milhão de postulantes a asilo chegaram ao bloco em 2015, a UE reprimiu a imigração e ajudou Turquia e Líbia a fecharem as principais rotas usadas pelos imigrantes. Segundo os dados da União Europeia, menos de 123 mil pessoas rumaram para o bloco no ano passado, e apenas 22 mil migraram neste ano até o momento. 

Alguns países da UE – localizados no Mar Mediterrâneo – disseram que a crise do coronavírus torna mais difícil a a aceitação de imigrantes resgatados no mar. O Conselho da Europa, uma agência de direitos humanos, escreveu ao governo de Malta na semana passada, afirmando que a lei humanitária internacional obriga o país a aceitar imigrantes resgatados, apesar do vírus.

A comissária de Assuntos Internos da UE, Ylva Johansson, planeja propor em breve uma reforma do sistema de asilo do bloco, que falhou no período de 2015 e 2016, quando países da linha de frente do sul acusaram outros países do bloco de não os ajudar a lidar com a chegada de imigrantes e refugiados em massa.

A coesão da União Europeia foi prejudicada quando nações ricas, como Alemanha e Suécia, também repreenderam vizinhos do leste, como Polônia e Hungria, que têm governos nacionalistas e eurocéticos, por se recusarem a receber qualquer um dos recém-chegados. 

Com Agência Reuters