Mais adolescentes estão relatando problemas de saúde mental na Europa, diz OMS

Segundo o relatório, houve uma piora na saúde mental de jovens e adolescentes entre 11 a 15 anos de 45 paíseso no período de 2014 a 2018

Da CNN, em São Paulo
21 de maio de 2020 às 13:51
Crianças e jovens caminham para a escola em Londres.
Foto: Toby Melville - 20.mar.2020/Reuters

No período de 2014 a 2018, houve uma piora na saúde mental de jovens e adolescentes entre 11 a 15 anos de 45 países. É o que confirma o relatório “Comportamento em Saúde em Crianças em Idade Escolar” (HBSC, na sigla em inglês), publicado nesta semana pelo escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa. 

A pesquisa, que analisou 227.441 jovens em idade escolar, pode ser considerado uma base para estudos futuros sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus na saúde mental. Além da saúde mental, a saúde física e as relações sociais foram analisadas no estudo. 

Para o diretor-regional da OMS na Europa, Hans Henri P. Kluge, a situação é preocupante. "Um número crescente de meninos e meninas em toda a região europeia está relatando problemas de saúde mental, sentindo-se para baixo, nervosos ou irritados. É uma preocupação para todos nós".

Leia também:

Estudo da Universidade de Hong Kong comprova eficácia de máscara contra Covid-19

Síndrome inflamatória relacionada à Covid-19 coloca vida de crianças em risco

Crianças em casa? Especialistas recomendam manter rotina e conversar

Segundo ele, a forma como responderemos ao problema será decisivo e ecoará pelas próximas gerações. “Investir nos jovens, garantindo que eles tenham fácil acesso aos serviços de saúde mental adequados às suas necessidades, é uma ação que impacta três pontos: teremos ganhos de saúde, além de ganhos sociais e econômicos aos adolescentes de hoje, aos adultos de amanhã e às gerações futuras", afirma. 

A pesquisa mostrou que um em cada quatro adolescentes relatou sentimentos como nervosismo, irritação e dificuldades para dormir pelo menos uma vez por semana. Além disso, o estudo afirma que o bem-estar mental diminui à medida em que as crianças crescem, com um risco maior entre as meninas em comparação aos meninos.

Com base neste estudo, os impactos causados pela pandemia da Covid-19 nas relações sociais e na saúde mental deverão ser medidas em um novo relatório, que será publicado em 2022. É o que afirma o gerente do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente do escritório regional da OMS, Martin Weber. 

"A comparação de dados nos permitirá medir até que ponto e como o fechamento prolongado das escolas e o bloqueio total [lockdown] afetaram as interações sociais dos jovens e o bem-estar físico e mental".