Campanha de Trump publica anúncios no Facebook atacando TikTok

Presidente dos EUA disse que o aplicativo de vídeo espiona os americanos

Donie O'Sullivan, da CNN
19 de julho de 2020 às 18:03
O aplicativo TikTok
Foto: Shutterstock (19.jul.2020)

A campanha de reeleição do presidente Donald Trump publicou anúncios no Facebook neste fim de semana que acusam o aplicativo chinês de vídeos TikTok de espionar americanos. 

"O TikTok está espionando você", diz a propaganda, que liga para uma pesquisa e para a inscrição na lista de e-mails da campanha de Trump perguntando se o TikTok deveria ser banido nos Estados Unidos.

O TikTok, propriedade de uma empresa chinesa e muito popular entre jovens, se tornou um ponto focal nas tensões entre Washington e Pequim. 

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Os anúncios da campanha de Trump parecem se referir a uma pesquisa de uma empresa chamada Mysk, que descobriu mais cedo neste ano que o TikTok e outros aplicativos, inclusive os de alguns veículos de mídia americanos, acessavam os conteúdos do clipboard de usuários de iPhones. 

Clipboard é onde os iPhones armazenam dados copiados, parte da ferramenta para copiar e colar. Essa informação pode ser particularmente sensível, uma vez que alguns usuários copiam e colam as senhas para diferentes serviços. 

Os anúncios suscitaram uma repreensão do TikTok ao Facebook neste domingo (19). 

"Nós entendemos que a retórica eleitoral fica acalorada, que é o motivo pelo qual não aceitamos anúncios eleitorais na nossa plataforma. O que é mais interessante é que o Facebook está aceitando dinheiro para um anúncio político que ataca um competidor enquanto se prepara para lançar um clone do TikTok", disse um porta-voz da companhia à CNN

O Facebook anunciou nesta sexta-feira (17) o lançamento global de um competidor para o TikTok, o Instagram Reels. 

Roland Cloutier, diretor de segurança da informação do TikTok, procurou assegurar os usuários do aplicativo em uma publicação no blog da empresa no fim de junho. Cloutier disse que há "muitos motivos legítimos" pelos quais apps acessam dados do clipboard.

"Nesse caso, estávamos trabalhando para responder ao problema de spam e incidentes em que os usuários às vezes publicam o mesmo comentário em centenas de vídeos. Nossa tecnologia também nos permitia identificar usuários que estavam copiando comentários e colando em vários e vários vídeos diferentes. Interpretamos isso como uma intenção desse usuário, como autopromoção para ganhar seguidores ou importunar outros usuários", escreveu. 

Ele disse que os dados coletados como parte do programa contra spam não deixavam o aparelho do usuário. Mesmo assim, Cloutier disse na publicação que a companhia removeria a função. 

Mysk, o grupo que expôs o caso do clipboard, publicou um tweet no sábado (18) dizendo, "A campanha de Trump está usando nossa pesquisa do clipboard para ganho político. Isso é triste". Eles também apontaram que não é apenas o TikTok que está acessando essa função. 

Mais cedo neste mês, o secretário de Estado Mike Pompeo disse que os EUA estavam considerando banir o TikTok, citando preocupações com segurança. 

"O TikTok é dirigido por um CEO americano, com centenas de empregados e líderes nas áreas de segurança, produto e diretrizes aqui nos EUA", disse um porta-voz do TikTok em nota após a declaração de Pompeo. "Nós não temos uma prioridade mais alta do que promover uma experiência segura para os nossos usuários. Nós nunca fornecemos dados dos usuários para o governo chinês, nem o faríamos se fôssemos solicitados".

Não é o primeiro entrave de Trump com o app. 

Em junho, alguns usuários do TikTok quiseram sabotar a campanha de Trump ao se registrarem para o comício dele em Tulsa, Oklahoma, sem intenção de comparecer. 

(Texto traduzido, leia o original em inglês)