CNN Mundo: impactos ambientais na Amazônia podem mudar futuro do planeta


Da CNN
28 de julho de 2020 às 19:12

Cerca de 150 cientistas renomados, dos oito países amazônicos e outros parceiros globais, lançaram em Nova York uma iniciativa inédita para avaliar a situação da Amazônia.

Com apoio da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a ideia é fazer uma ampla revisão de pesquisas nos campos da ciência ambiental, economia e tecnologia. Outro objetivo é propor políticas públicas que combinem conservação com desenvolvimento e produção de riqueza.

Para falar sobre o assunto, o analista da CNN Lourival Sant'Anna recebe no CNN Mundo: Luciana Rizzo, professora do departamento de Ciências Ambientais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Ricardo Pereira, diretor de desenvolvimento técnico do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); e Ricardo Abramovay, sociólogo e professor de economia da USP.

Na entrevista, os especialistas afirmaram que os impactos na Amazônia podem estar se aproximando de um ponto de não retorno.

"Estudos mais recentes mostram que, quando a floresta for afetada em 25% do seu estado natural, não haverá mais ponto de retorno. Caso o ser humano retire 25% da vida na floresta, não haverá como ela voltar a ser o que já foi um dia", diz Luciana Rizzo que enfatiza o peso da floresta para a biodiversidade brasileira.

"A Amazônia concentra 10% da biodiversidade de todo o mundo. É uma riqueza que devemos preservar. Precisamos fazer cumprir as leis contra o desmatamento criminoso que ocorre na região amazônica", defende a professora da Unifesp.

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Um dos integrantes do projeto global, Ricardo Abramovay diz que o objetivo da iniciativa é "mostrar a influência das atividades humanas na floresta".

"São ações muito impactantes que estão afetando o mundo como um todo. Nós investimos pouquíssimo na sustentação da nossa principal riqueza", afirma o sociólogo.

Para Ricardo Pereira, diretor do centro empresarial voltado à sustentabilidade, uma das opções para o Brasil é priorizar o mercado de créditos de carbono.

"O mercado de carbono está em evidência no Brasil, pois se começou a ter a percepção da importância dele. O Brasil se comprometeu em reduzir o carbono até 37% até 2025. O melhor caminho para implementar isso é ter um mercado com regras claras, sem perder a competividade da indústria nacional. O carbono será a próxima commodity mundial", diz o especialista.

(Edição: Bernardo Barbosa)