Após explosão e protestos, ministra da Informação do Líbano renuncia

Ela citou o fracasso do governo em conduzir reformas e a grande explosão ocorrida em Beirute nesta semana

Da CNN
09 de agosto de 2020 às 06:12 | Atualizado 09 de agosto de 2020 às 06:16
A ministra da Informação do Líbano, Manal Abdel Samad
Foto: Reprodução - 05.ago.2020 / Reuters

A ministra da Informação do Líbano, Manal Abdel Samad, renunciou do cargo neste domingo (9), citando o fracasso do governo em conduzir reformas e a grande explosão ocorrida em Beirute nesta semana, que matou 154 pessoas e feriu milhares.

A explosão vem sendo relacionado a uma grande quantidade de nitrato de amônio, um material explosivo, confiscado e potencialmente inseguro, armazenado em um depósito no porto da capital libanesa. 

Nesse sábado (8), milhares de libaneses protestaram contra o governo do país em Beirute. Eles criticam as lideranças políticas em um contexto de grave crise econômica e de reação depois da explosão de terça-feira (4).

Os manifestantes tentaram invadir o parlamento e entraram em confronto com a polícia. Ao menos um policial morreu e 100 pessoas ficaram feridas.

Documentos obtidos pela CNN mostram que o produto chegou a Beirute em um navio russo em 2013, que tinha como destino Moçambique. A embarcação parou na capital libanesa em razão de problemas financeiros e para que os tripulantes pudessem descansar, e nunca mais deixou o local.

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A tripulação abandonou o navio, que foi confiscado pelas autoridades, e o nitrato de amônio a bordo foi armazenado em um hangar no porto.

De acordo com os documentos, Badri Daher, diretor da Alfândega libanesa, alertou por anos sobre o "perigo extremo" de deixar a substância no local. À CNN, ele disse que funcionários da alfândega escreveram seis vezes às autoridades solicitando que a carga fosse removida do porto, mas os pedidos não foram atendidos.

Dias depois, os compradores originais do nitrato de amônio disseram à CNN que o produto foi adquirido para ser usado na mineração. A Fábrica de Explosivos Moçambique (FEM), uma empresa de fabricação de explosivos do país africano, afirmou que foi ela que solicitou a compra do material. O pedido estava destinado à fabricação de explosivos para companhias mineradoras de Moçambique.

O nitrato de amônio nunca chegou a Moçambique, segundo um porta-voz da FEM, e acabou sendo armazenado em um depósito no porto da capital libanesa.

(Com Reuters)