Eleições nos EUA: melhores e piores momentos da 4ª noite da Convenção Democrata

Último dia do evento foi marcado pelo discurso de Joe Biden e de figuras como Cory Booker e Keisha Lance Bottoms

Chris Cillizza, da CNN
21 de agosto de 2020 às 07:38
Na última noite do evento, Biden aceitou sua nomeação como candidato democrata para disputar as eleições presidenciais
Foto: Reprodução - 20.ago.2020 / Reuters

A Convenção Nacional Democrata dos Estados Unidos 2020 está oficialmente encerrada.

Enquanto o discurso de aceitação da nomeação feito pelo ex-vice-presidente Joe Biden – oficializando-o como candidato democrata para disputar as eleições presidenciais deste ano – foi a peça central do evento, outros palestrantes também se destacaram, como o senador por New Jersey Cory Booker e a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms. 

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Confira abaixo os melhores e piores momentos.

Melhores momentos

Joe Biden

O maior desafio para Biden na noite dessa quinta-feira (20) foi mostrar competência, força e vivacidade, após aguentar meses de ataques do presidente Donald Trump e seus aliados sugerindo que o democrata não estava com a cabeça na disputa eleitoral (se eleito, Biden será a pessoa mais velha a ganhar um mandato presidencial, tirando esse título de Trump).

Apesar de o começo do discurso ter sido relativamente duro, o ex-vice-presidente acabou fazendo uma coisa que muitos acharam que ele não faria: foi carismático, enérgico, sentimental e poderoso. 

Qualquer um que o assistiu não teve dúvidas de que Biden está pronto, quer e é capaz de fazer o trabalho. Mas ele fez mais do que isso e entregou um discurso voltado diretamente para o meio do país, em termos de ideologia.

“Este não é um momento partidário”, disse no começo de sua fala. “Este é um momento norte-americano.” Biden repetidamente apelou para a decência comum, a humanidade e a compaixão da população. Lembrou às pessoas que elas podem e devem ser melhores do que o que as divide. 

Tammy Duckworth

A câmera indo da cadeira de rodas da senadora por Illinois para seus membros artificiais e depois para ela, uma veterana do Iraque, foi muito emocionante. No discurso, ela criticou Trump, destacando a visão dele sobre o Exército e o que significa patriotismo. 

“Temos um covarde no comando no país que não vai enfrentar Vladimir Putin [presidente da Rússia]”, afirmou ela. Com isso, Duckworth pode ter ganhado alguns fãs entre os democratas comuns que talvez nunca haviam ouvido falar nela antes da noite de quinta.

Cory Booker

Em sua fala, o senador por New Jersey mostrou por que tantas pessoas acreditam que ele tem o que é preciso para um dia ganhar uma passagem para a disputa nacional. O discurso dele – sobre o poder do trabalho duro e a necessidade da união – foi marcado pelo tipo de otimismo transbordante que é o seu cartão de visita. Não subestime o quão difícil é mostrar otimismo, paixão e energia quando se está em um ambiente praticamente vazio na cidade de Nova York, sem público ou aplausos. 

Brayden Harrington

O garoto de apenas 13 anos teve a coragem de falar no evento mesmo sendo gago, sabendo que milhões de pessoas o veriam.

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Segunda hora de Julia Louis-Dreyfus

A moderadora da noite, a atriz Julia Louis-Dreyfus, fez algumas piadas e falou sobre como Biden entrou em contato com ela quando soube do seu diagnóstico de câncer, e por que acredita tão fortemente nele.

Piores momentos

Michael Bloomberg

A pergunta é por quê? Por que dar ao ex-prefeito de Nova York tanto tempo de fala no evento? Foi por causa dos milhões de dólares que ele gastou em sua curta corrida pela nomeação democrata? Foi por que eles precisavam de mais um homem branco e rico para falar? Foi por que eles queriam uma repetição do momento Bloomberg – “eu era um republicano” – ocorrido há quatro anos, na última convenção democrata?

Jon Meacham

Ele teve tempo demais para falar poeticamente sobre a história da presidência norte-americana, ainda mais considerando que outras estrelas democratas, como a congressista por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez e o ex-prefeito de San Antonio Julián Castro, tiveram pouco ou nenhum tempo de tela. Meacham não fez nada de errado, mas foi estranho os organizadores do evento darem a ele tanto para falar.

Primeira hora de Julia Louis-Dreyfus

No começo, ela tentou fazer uma coisa nova e original, não apenas moderar a convenção virtual, mas fazê-lo como uma comediante contando piadas. Contudo, algumas dessas piadas não apenas não deram certo como prejudicaram momentos importantes. O maior exemplo disso foi quando, depois de um vídeo de Biden falando emocionado sobre sua fé, a atriz soltou uma piada sobre como ele não precisou de gás lacrimogêneo e policiais para fazê-lo ir à igreja. O público entendeu, mas será que precisava disso?

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)