Após boicote de atletas, Trump diz que NBA tornou-se organização política

A liga de basquete adiou os três jogos dos playoffs programados para esta quinta-feira (27) pela segunda noite após equipe se recusar a entrar em quadra

Da CNN
27 de agosto de 2020 às 18:06
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - 27/08/2020
Foto: Carlos Barría/Reuters

Embora tenha dito não saber muito sobre o boicote promovido por jogadores em protesto contra a injustiça racial depois que um homem negro foi baleado pela polícia em Wisconsin, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (27) que a NBA se transformou em "uma organização política".

"Eles se tornaram uma organização política, e isso não é algo bom. Eu não acho que isso seja uma coisa boa para o esporte ou para o país", disse Trump durante um briefing da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências sobre o furacão Laura.

A liga profissional de basquete americana adiou os três jogos dos playoffs programados para esta quinta-feira (27). É a segunda noite seguida em que as partidas da NBA programadas não ocorrerão.

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Uma reunião no final da tarde deve discutir os próximos passos do campeonato, paralisado desde quarta-feira (26), depois que, em protesto contra a violência racial nos EUA, o Milwakee Bucks deciu não entrar em quadra contra o Orlando Magic. 

O encontro vai incluir jogadores e gestores da liga e o presidente do Comitê de Relações Trabalhistas da NBA, Michael Jordan. “Os jogos dos playoffs da NBA de hoje não serão disputados conforme programado. Esperamos retomar os jogos na sexta ou no sábado", disse a liga em nota.

O caso Jacob Blake

Dias depois que Jacob Blake foi baleado por um policial em Kenosha, no estado norte-americano de Wisconsin, e grandes protestos voltaram a ser registrados nos Estados Unidos, autoridades revelaram outras informações sobre o caso.

Segundo registros de autoridades, os policiais envolvidos no ataque a Blake foram acionados por causa de um incidente doméstico por volta das 17h11 (19h11 em Brasília) de domingo (23).

De acordo com investigadores da Divisão de Investigação Criminal do Departamento de Justiça de Wisconsin, uma mulher ligou dizendo que “o namorado dela estava presente e não deveria estar no local”.

Quem atendeu à ligação disse que a pessoa afirmou que o homem se chamava Blake, “não deveria estar ali” e se recusou a sair. Mais tarde, o atendente explicou que não tinha mais detalhes a respeito porque quem ligou não cooperou com as investigações.

Segundo relatos dos policiais, quando a equipe chegou ao local, eles teriam tentado prender Blake e utilizaram um taser (arma de choque) na tentativa de pará-lo. Blake então teria caminhado em volta do próprio veículo, “abriu a porta do lado do motorista e se inclinou para dentro” do carro, afirmou a agência.

Um agente segurou Blake pela camiseta e disparou sete vezes nas costas dele. “Nenhum outro policial disparou”, informou o departamento.

A polícia afirma que cerca de cinco minutos depois do relato inicial, a delegacia recebeu denúncias sobre disparo de tiros.

A corporação disse que os policiais prestaram ajuda antes de Blake ser levado para o Hospital Froedtert, em Milwaukee. Jacob Blake, homem negro de 29 anos, ficou parcialmente paralisado pois a bala causou danos à medula espinhal dele, e ainda lida com diversos outros ferimentos.

(Com informações de Jeff Mason, da Reuters)