Hackers vazam dados de mil policiais de Belarus em fim de semana de protestos

O governo afirmou que irá encontrar e punir os responsáveis pelo vazamento dos dados

Reuters
20 de setembro de 2020 às 10:01 | Atualizado 20 de setembro de 2020 às 18:01

Um grupo de hackers anônimos vazou os dados pessoais de mil policiais de Belarus em retaliação à repressão dos protestos contra o presidente Alexander Lukashenko que acontecem no país neste final de semana.

"Como as prisões continuam, continuaremos a publicar dados em grande escala", afirmou o grupo em um comunicado distribuído pelo canal de notícias da oposição Nexta Live através do aplicativo Telegram. 

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Manifestante protesta contra resultado de eleição presidencial em Belarus
Foto: Vasily Fedosenko -13.ago.2020/ Reuters


"Ninguém será mantido em anonimato nem mesmo embaixo de uma balaclava", disseram em alusão às máscaras utilizadas pelos policiais de Belarus.

O governo afirmou que irá encontrar e punir os responsáveis pelo vazamento dos dados, que foi amplamente disseminado pelo Telegram durante a noite de sábado (19).

"As forças, meios e tecnologias à disposição dos órgãos de corregedoria permitem identificar e processar a esmagadora maioria dos culpados pelo vazamento de dados pessoais", disse Olga Chemodanova, porta-voz do Ministério de Assuntos Internos.

A lealdade das forças de segurança de Belarus é crucial para que Lukashenko se mantenha no poder após a eleição presidencial do mês passado. Ele conquistou uma vitória esmagadora, mas é acusado pelos opositores de ter cometido fraude para conseguir o seu sexto mandato consecutivo.

Os policiais de Belarus prenderam milhares de pessoas para enfrentar uma onda de protestos e greves, muitas vezes utilizando máscaras, balaclavas ou capacetes de choque para esconder os rostos. Alguns manifestantes arrancaram à força as máscaras de alguns policiais.

O governo disse que 390 mulheres foram detidas durante os protestos de sábado contra Lukashenko, mas a maioria foi liberada.