Seul diz que Coreia do Norte matou sul-coreano a tiros para 'combater Covid-19'


Hyonhee Shin e Jack Kim, da Reuters
25 de setembro de 2020 às 03:09 | Atualizado 25 de setembro de 2020 às 03:41
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un

Foto: KCNA/via REUTERS

A Coreia do Norte lamentou nesta sexta-feira (25) a morte de um sul-coreano desaparecido, dizendo que atirou nele como parte das medidas para combater o novo coronavírus, disse o assessor de segurança nacional de Seul.

Segundo o relato sul-coreano, o líder norte-coreano Kim Jong Un enviou uma carta ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, dizendo que o incidente não deveria ter acontecido.

Há algumas semanas, um comandante do Exército americano afirmou ter conhecimento de ordens norte-coreanas para "atirar e matar" nas fronteiras como forma de prevenção à Covid-19.

Na quinta-feira, o tenente-general Ahn Young-ho, um alto funcionário do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, disse que um funcionário do governo sul-coreano foi morto a tiros depois de cruzar uma fronteira marítima com a Coreia do Norte.

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A vítima foi identificada como um funcionário do Ministério de Assuntos Marítimos e Pescas, que desapareceu nas águas a 1,9 km ao sul das Ilhas Yeonpyeong em 21 de setembro.

As ilhas ficam perto da fronteira marítima entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul e, em algum momento, o funcionário não identificado teria cruzado as águas da Coreia do Norte. Após esse incidente, de acordo com a inteligência sul-coreana, as forças norte-coreanas abriram fogo, matando o sul-coreano. Mais tarde, eles queimaram seu corpo, disse Ahn.

Em um comunicado, o exército sul-coreano afirmou que "condena veementemente as atrocidades do Norte" e pediu a Pyongyang que fornecesse uma explicação e punisse os responsáveis.

"Além disso, advertimos severamente que a Coreia do Norte é responsável pelas atrocidades cometidas contra nossos cidadãos", acrescentou o comunicado.

As tensões têm aumentado entre as Coreias do Norte e do Sul desde que a comunicação entre os dois lados foi cortada em junho, quando Pyongyang fechou pela primeira vez e depois explodiu um escritório de ligação conjunta em Kaesong, uma cidade no lado norte da fronteira.

A deterioração nas relações veio depois de uma reaproximação de anos liderada pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in, que resultou em reuniões históricas entre ele e o líder norte-coreano Kim Jong Un, além de cúpulas entre Kim e o presidente dos EUA Donald Trump.

(Com informações de Gawon Bae, da Reuters)