De Kennedy-Nixon a Trump-Biden: 60 anos de debates presidenciais nos EUA


Da CNN
28 de setembro de 2020 às 14:42

O republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden se enfrentam nesta terça-feira (29) no primeiro debate presidencial das eleições americanas de 2020, parte de uma tradição de 60 anos marcada por alguns dos momentos mais memoráveis da história moderna da política dos Estados Unidos.

O encontro na cidade de Cleveland, em Ohio, será transmitido pela CNN Brasil a partir das 22h, no horário de Brasília, pela TVpelo site e pelo canal CNN Brasil no YouTube.

O primeiro debate televisionado nos EUA, em 1960, colocou o candidato democrata John F. Kennedy contra o vice-presidente republicano Richard Nixon — que se recuperava de uma visita ao hospital e apareceu com uma aparência abatida, por ter recusado maquiagem. 

Os 70 milhões de espectadores se concentraram no que viram, não no que ouviram. Kennedy ganhou a eleição.

John F. Kennedy e Richard Nixon no debate presidencial de 1960, nos EUA

O democrata John F. Kennedy (E) contra o republicano Richard Nixon (D) no debate presidencial de 1960, nos EUA

Foto: Reprodução/ John F. Kennedy Presidential Library and Museum

Em 1976, no primeiro debate na TV em 16 anos, o democrata Jimmy Carter enfrentou o presidente republicano Gerald Ford, cujo desempenho foi mal avaliado por causa de comentários como: "Não há domínio soviético na Europa Oriental e nunca haverá sob uma administração Ford." Carter ganhou a eleição.

Outro momento memorável foi em 1984, quando o presidente Ronald Reagan, de 73 anos, desarmou com sucesso a questão sobre sua idade ao debater com o democrata Walter Mondale, de 56 anos, zombando: "Quero que saibam que também não vou fazer da idade uma questão desta campanha . Não vou explorar, para fins políticos, a juventude e a inexperiência de meu oponente." Reagan foi reeleito.

Embora alguns questionem a importância dos debates presidenciais televisionados há seis décadas, Eric Schnure, professor da American University, de Washington, e ex-redator de discursos da Casa Branca, disse que eles importam muito.

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"É um desses poucos momentos de uma longa campanha em que todos podem ver esses dois candidatos juntos no palco e comparar um com o outro", disse.

Um desafio para o candidato democrata à presidência, Joe Biden, será como lidar com os ataques notórios do presidente Donald Trump, acrescentou Schnure.

"Você nunca vai ser mais malvado do que Donald Trump. Então o ponto é: você pode ficar calmo, sereno e centrado?"

O primeiro debate entre Trump e a democrata Hillary Clinton, em 2016, atraiu 84 milhões de telespectadores dos EUA, um recorde para um debate e um número raro na era do streaming digital.

Donald Trump (E) e Hillary Clinton no segundo debate presidencial de 2016

Donald Trump (E) e Hillary Clinton no segundo debate presidencial de 2016

Foto: Barbara Kinney - 9.out.2016/ Hillary for America

Uma troca de insultos dominou o segundo debate entre eles, com Hillary criticando Trump por comentários sexualmente agressivos sobre mulheres que ele fez em uma gravação de 2005 descoberta dias antes.

Trump procurou desviar as críticas acusando Bill Clinton, o marido da candidato, de ter feito pior com as mulheres. Em seu livro publicado em 2017, Hillary escreveu que em seu segundo debate Trump fez sua pele arrepiar ao persegui-la pelo palco e ela se perguntou se deveria ter dito a ele para recuar.

No terceiro debate, Trump chamou Hillary de "uma mulher muito desagradável" e se recusou a dizer que aceitaria os resultados da eleição.

Schnure, que já ajudou Al Gore e Joe Lieberman com os preparativos para os debates, disse que os candidatos muitas vezes trabalham na "criação de momentos" enquanto os fazem parecer autênticos e improvisados.

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“O outro lado disso são os momentos que acontecem quando as luzes se acendem e você recebe uma pergunta difícil em tempo real e diz algo que pode não ser tão elegante quanto você esperava”, disse ele.

Em seu segundo debate com o presidente Barack Obama, Mitt Romney, respondendo a uma pergunta sobre igualdade salarial de gênero, disse que tinha "pastas cheias de mulheres" como candidatas a cargos de gabinete. A frase se tornou um meme nas redes sociais, com tuítes, artes e um grupo no Facebook zombando Romney. Obama venceu novamente.

"[Trump] reivindicará a vitória não importa o que aconteça", disse Schnure, acrescentando que o desempenho de Biden precisa inspirar os eleitores anti-Trump a votarem. "Ele precisa dar a eles esperança de que, na primeira semana de novembro, vão vencer."

(Com Reuters)