EUA: Mais de 5 milhões de pessoas com condenações criminais não votarão em 2020

Segundo a ONG Sentencing Project, 1 a cada 44 adultos é barrado da votação por condenações atuais ou passadas

Christina Maxouris, CNN
15 de outubro de 2020 às 11:00
Segundo a ONG Sentencing Project, 1 a cada 44 adultos é barrado da votação por condenações atuais ou passadas
Foto: Divulgação / Unsplash

Cerca de 5,4 milhões de norte-americanos não poderão votar nas eleições de 2020 em razão de condenações criminais, segundo um estudo da ONG Sentencing Project, centro de pesquisa com sede em Washington.

O número corresponde a 1 a cada 44 adultos, barrados da votação por condenações atuais ou passadas. E isso acontece mesmo após metade dos estados dos EUA, ao longo dos últimos 25 anos, mudarem leis e políticas para expandir os direitos de voto, informou o centro.

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“A base de qualquer democracia é o direito de votar”, afirmou a diretora executiva do projeto, Amy Fettig, em um comunicado. “Leis que excluem pessoas da votação desestabilizam comunidades e famílias nos EUA há décadas ao negá-las uma voz na determinação de seus futuros.”

Permissão varia conforme o estado

A privação de direitos civis varia drasticamente de estado para estado. No Maine, Vermont e no Distrito de Columbia, indivíduos condenados por crimes não perdem o direito de votar, mesmo quando estão presos, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais.

Outros estados restauraram esse direito aos condenados após deixarem a cadeia ou depois do período de liberdade condicional. Em outras regiões, condenados podem perder o direito por tempo indeterminado, dependendo do crime cometido.

O estudo do Sentencing Project descobriu que cerca de três quartos das pessoas impedidas de votar vivem em suas comunidades, já tendo cumprido as penas na totalidade ou permanecendo em liberdade condicional.

“Está claro que as disparidades no sistema de justiça criminal estão ligadas às disparidades na representação política”, afirmou a ONG.

O Sentencing Project realiza estudos para promover reformas na política de condenação dos EUA e em defesa de alternativas ao encarceramento.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)