Azerbaijão e Armênia concordam com 'cessar-fogo humanitário'


Ray Sanchez e Sharif Paget, da CNN
18 de outubro de 2020 às 00:08
Moradores de Stepanakert, no Azerbaijão, caminham em meio a escombros

Moradores de Stepanakert, no Azerbaijão, caminham em meio a escombros deixados por conflito com Armênia

Foto: Reprodução - 07.nov.2020 / Reuters


Azerbaijão e Armênia concordaram, neste sábado (17), com um "cessar-fogo humanitário" no conflito pelo enclave contestado de Nagorno Karabakh, de acordo com um comunicado dos ministérios das Relações Exteriores dos dois países. Novos conflitos no final da semana indicavam o término da trégua mediada pela Rússia.

O novo acordo - programado para começar à meia-noite no horário local - foi anunciado depois que ambos os lados se acusaram mutuamente de ataques que violavam o acordo de paz de uma semana mediado por Moscou.

A disputa data do colapso da União Soviética, quando Nagorno Karabakh declarou independência do Azerbaijão, desencadeando um conflito violento que terminou em um trêmulo cessar-fogo de 1994.

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A Armênia apoiou Nagorno Karabakh, que estabeleceu uma independência de facto que não é reconhecida pela maior parte do mundo. Embora esteja dentro do território do Azerbaijão, a região é povoada e controlada por armênios étnicos.

A Armênia afirma que o atual conflito é entre Karabakh e o Azerbaijão.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, conversou com seus homólogos do Azerbaijão e da Armênia no sábado para enfatizar a necessidade de manter a trégua.

Arayik Harutyunyan, líder da região contestada, saudou o novo esforço de paz, dizendo em um comunicado: "a República de Artsakh confirma a prontidão para observar a trégua humanitária em uma base recíproca", em linha com os acordos de cessar-fogo negociados por Moscou no sábado e uma semana atrás.

Antes da última tentativa de cessar-fogo no sábado, o Azerbaijão acusou a Armênia de um ataque com foguete contra sua segunda maior cidade, Ganja, matando pelo menos 13 civis - incluindo três crianças - e ferindo mais de 50 outros.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, chamou o ataque do míssil de um "bombardeio covarde" que "não pode quebrar a vontade do povo azerbaijano". O ataque ocorreu na madrugada de sábado e teve como alvo bairros civis na parte central da cidade, de acordo com um comunicado da procuradoria do Azerbaijão.

Segundo o assessor presidencial do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev, Armênia usou mísseis balísticos no ataque. Ele disse que as autoridades tinham evidências para apoiar a afirmação, de acordo com um post no Twitter.

"Deixe a comunidade internacional ver os atos bárbaros da Armênia contra civis", acrescentou Hajiyev.

Supostos vídeos e fotos da cena mostravam equipes de resgate removendo entulho para alcançar os sobreviventes. A promotoria disse que as autoridades estão compilando uma lista completa das vítimas.

No último fim de semana, outro cessar-fogo temporário desmoronou após semanas de combates, com os dois países trocando acusações de violação do acordo em meio a relatos de vítimas.

A França exigiu "o fim imediato das hostilidades" desde o início dos combates entre os países na manhã de 27 de setembro.

O breve cessar-fogo na semana passada aconteceu depois que a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, falou sobre o sofrimento que o conflito estava infligindo aos civis.

A disputa sobre Nagorno-Karabakh se acirra de tempos em tempos desde o cessar-fogo de 1994.

A região fica dentro do território do Azerbaijão, conectada à Armênia por uma rodovia cara. É fortemente militarizado e suas forças foram apoiadas pela Armênia, que tem uma aliança de segurança com a Rússia.
As tensões aumentaram desde julho, quando vários dias de confrontos abalaram a fronteira entre a Armênia e o Azerbaijão.