Protestos por direito ao aborto bloqueiam vias em toda a Polônia

"Protestos só vão parar quando decisão for revertida", afirma manifestante

Joanna Plucinska e Anna Koper, da Reuters
26 de outubro de 2020 às 15:00 | Atualizado 26 de outubro de 2020 às 15:09

Protestos em Varsóvia, na Polônia

Foto: Reprodução/Euronews

Milhares de poloneses bloquearam ruas de diferentes cidades com carros, bicicletas e a pé nesta segunda-feira (26), em quinto dia de protestos contra uma decisão do Tribunal Constitucional, que prevê o banimento quase total do aborto na nação predominantemente católica. 

Carregando cartazes que diziam “Chega”, “Não quero ser seu mártir” e “Eu quero escolha, não terror”, manifestantes se encontraram em dezenas de cidades, desafiando restrições de contenção do novo coronavírus.

“Mulheres são fortes”, disse Malgorzata Rutkowska, de 56 anos, protestando em uma das principais vias públicas de Varsóvia, e afirmou que os protestos continuarão até que o banimento seja revertido.

A decisão do tribunal na última quinta-feira (22) foi a faísca para uma retaliação sem precedentes contra a Igreja Católica na Polônia, que possui relacionamento próximo com o governo do partido conservador e nacionalista, Lei e Justiça (PiS).

Também intensificou as críticas ao PiS, que chegou ao poder em mandato de cinco anos para instaurar valores tradicionais.

Após a decisão entrar em vigor, o aborto será banido em caso de anormalidades do feto. Será legal apenas em casos de estupro, incesto ou ameaça à saúde da gestante.

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Críticos afirmam que o tribunal agiu em favor do partido, que no passado já se absteve de esforços para reforçar as regras para o aborto em meio a pedidos da população. O PiS nega as afirmações.

O tribunal tem sido uma parte da revisão extensa pela qual passo o sistema judicial do país, a qual a Comissão Europeia afirma que subverte a regra de imparcialidade política do judiciário.

O governo pediu o encerramento dos protestos por conta do aumento do número de casos da Covid-19, que sobrecarrega o sistema de saúde.

Os protestos têm sido em sua maioria pacíficos, com poucos casos de enfrentamento com a polícia, e em alguns casos a mídia local expressou apoio aos manifestantes.

“O que tem acontecido nos últimos dias é absolutamente inaceitável”, afirmou o chefe da equipe do primeiro ministro Mateusz Morawiecki, Michal Dworczyk, em entrevista à rádio RMF. “Regras da pandemia estão sendo quebradas”.