Coronavírus chegou na Itália mais cedo do que se pensava, aponta estudo

Estudo do Instituto Nacional do Câncer italiano sinaliza que a Covid-19 pode ter se espalhado além da China antes de fevereiro de 2020

Giselda Vagnoni, da Reuters
15 de novembro de 2020 às 17:12
Homem usa máscara em meio ao risco de coronavírus em estação de metrô de Milão, na Itália (25.fev.2020)
Foto: Flavio Lo Scalzo/REUTERS


O novo coronavírus estava circulando na Itália desde setembro de 2019, mostrou um estudo do Instituto Nacional do Câncer (INT) na cidade italiana de Milão, sinalizando que a Covid-19 pode ter se espalhado para além da China antes do que se imagina.

A Organização Mundial da Saúde alega que o novo coronavírus e a Covid-19, a doença respiratória que o vírus causa, eram desconhecidos antes de o surto ser relatado pela primeira vez em Wuhan, na região central da China, em dezembro.

O primeiro paciente com Covid-19 da Itália foi detectado em 21 de fevereiro em uma pequena cidade perto de Milão, na região da Lombardia, no norte do país.

Mas as descobertas dos pesquisadores italianos, publicadas pela revista científica Tumori Journal do INT, mostraram que 11,6% dos 959 voluntários saudáveis inscritos em um teste de rastreamento de câncer de pulmão entre setembro de 2019 e março de 2020 desenvolveram anticorpos contra o coronavírus bem antes de fevereiro.

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Um outro teste específico de anticorpos SARS-CoV-2 foi realizado pela Universidade de Siena em pesquisa intitulada "Detecção inesperada de anticorpos SARS-CoV-2 no período pré-pandêmico na Itália".

O estudo mostrou que quatro casos datados da primeira semana de outubro também testaram positivo para anticorpos que neutralizam o vírus, o que significa que eles foram infectados em setembro, disse à Reuters Giovanni Apolone, co-autor do estudo.

"Esta é a principal descoberta: as pessoas sem sintomas não só foram positivas após os testes sorológicos, mas também tinham anticorpos capazes de matar o vírus", disse Apolone.

“Isso significa que o novo coronavírus pode circular entre a população por muito tempo e com baixo índice de letalidade não porque esteja desaparecendo, mas apenas para ter uma nova onda”, acrescentou.