Escolas públicas de NY retomam aulas presenciais com testes de Covid-19 semanais

Instituições da cidade constituem maior rede de ensino do país; plano prevê fechamento de salas de aula ou escolas inteiras onde casos forem registrados

Jonathan Allen, da Reuters
29 de novembro de 2020 às 17:03
Ônibus escolares estacionados em frente a uma escola no Brooklyn, em Nova York
Foto: Brendan McDermid/Reuters (13.nov.2020)

Escolas públicas da cidade de Nova York retomarão aulas presenciais a partir de 7 de dezembro, começando com escolas primárias em que os pais tenham concordado com a realização de testes semanais para a Covid-19, informou o prefeito Bill de Blasio neste domingo (29).

As escolas, que constituem a maior rede de ensino do país, foram fechadas há menos de duas semanas, depois que a taxa municipal de testes positivos de Covid-19 ultrapassou o limite de 3%, acordado entre o prefeito e o sindicato de professores.

"É uma nova abordagem, porque temos muitas provas, agora, de como as escolas podem ser seguras", disse de Blasio a repórteres, apontando que o limite de 3% fora descartado e apontando pesquisa que mostra que crianças podem ser menos vulneráveis à Covid-19. Neste domingo, a média dos últimos 7 dias de testes positivos para a doença na cidade foi de 3,9%, disse o prefeito.

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O chanceler das escolas, Richard Carranza, participou de entrevista coletiva ao lado do prefeito, e disse que, com as novas medidas, acredita que a cidade possa "manter as escolas abertas com segurança e sucesso durante a pandemia".

O presidente da Federação Unida de Professores, Michael Mulgrew, disse em comunicado que o sindicato apoiava a reabertura gradativa proposta pela prefeitura, desde que "testagem rigorosa estivesse em vigor".

A cidade de Nova York, tem mais de 1,1 milhão de estudantes matriculados em suas escolas públicas, foi uma das poucas jurisdições nos Estados Unidos a tentar reabrir instituições no outono, enquanto o país continua a lutar contra o surto mais letal de coronavírus do mundo, e seus esforços são observados internacionalmente. Nova York fechou as salas de aula em meados de novembro, menos de oito semanas depois de ter começado a ter aulas presenciais novamente.

Alguns nova-iorquinos ficaram frustrados ao ver escolas fechadas novamente, enquanto academias foram autorizadas a funcionar e restaurantes puderam oferecer refeições em ambientes fechados na maioria das áreas sob regras impostas pelo governador do estado, Andrew Cuomo. Cuomo brigou publicamente com o prefeito de Blasio a respeito de qual seria a melhor forma de conter a propagação do vírus.

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As aulas do pré-jardim de infância também serão retomadas em 7 de dezembro, junto com as escolas de ensino fundamental. As escolas que atendem crianças com necessidades educacionais especiais, conhecidas como escolas do Distrito 75, serão reabertas em 10 de dezembro. De Blasio disse que as escolas de ensino fundamental e ensino médio serão reabertas em datas posteriores, ainda não definidas.

Muitas famílias optaram pelo aprendizado remoto, mesmo quando as salas de aula foram reabertas em setembro, mas a cidade também ofereceu o aprendizado "misto", com alunos participando de aulas presenciais durante alguns dias da semana, caso concordassem com a realização de testes mensais para o novo coronavírus.

Com a reabertura das escolas no mês que vem, para entrar em uma sala de aula, os alunos devem ter assinado um termo de consentimento, concordando com a realização de testes para Covid-19 ou apresentando uma carta de isenção médica emitida por um médico, disse de Blasio. Em breve, os testes serão realizados nas escolas semanalmente, mas apenas cerca de um quinto dos alunos serão testados por vez.

Segundo o prefeito, o plano é ter o ensino presencial cinco dias por semana, sempre que possível, quando as escolas reabrirem.

O governador detém o poder de sobrepor a decisão municipal e fechar escolas nas vizinhanças onde a taxa de testes positivos aumentar, observou de Blasio. A cidade também vai monitorar resultados de testes de coronavírus e pode fechar salas de aula individuais ou escolas inteiras onde casos forem registrados.

Os Estados Unidos já registraram mais de 4 milhões de novos casos até novembro e mais de 35 mil mortes causadas pela Covid-19, segundo monitoramento da Reuters, com mais internações do que nunca neste ano e com o número de mortes chegando ao ponto mais alto em seis meses.

Enquanto os casos aumentam em Nova York, o estado tem uma das taxas mais baixas de testes positivos em todo o país, com cerca de 3% dando positivo. Em Idaho, Dakota do Sul e Iowa, mais de 40% dos testes têm dado positivo, segundo dados do COVID Tracking Project.