Vacina da Pfizer começa a ser administrada nos Estados Unidos nesta segunda

Imunização recebeu autorização para uso emergencial no domingo (13)

da CNN*
14 de dezembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 14 de dezembro de 2020 às 06:23

 

A vacinação contra Covid-19 com a candidata desenvolvida pela Pfizer/BioNTech começa nesta segunda-feira (14) nos Estados Unidos.

O primeiro lote de vacinas foi despachado na tarde do domingo (13), mesmo dia em que o diretor do Consultivo sobre Práticas de Imunização do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Robert Redfield, autorizou o uso emergencial da imunização. 

"A vacinação contra a Covid-19 deve começar já na segunda-feira, e esse é o próximo passo nos nossos esforços para proteger os americanos, reduzir o impacto da pandemia de Covid-19 e ajudar a recuperar alguma normalidade para nossas vidas e nosso país", afirmou Redfield em comunicado.

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Enfermeira com frasco com vacina Pfizer/BioNTech contra Covid-19 no Reino Unido
Enfermeira segura frasco com vacina Pfizer/BioNTech contra Covid-19 na Universidade de Coventry, no Reino Unido
Foto: Jacob King/Pool via Reuters (8.dez.2020)


Mais de 188 mil frascos foram distribuídos e é previsto que mais 390 mil sejam recebidos até a terça-feira (15). Cada um desses frascos contém cinco doses da vacina, informou a Pfizer —o lote, então, contém quase 2,9 milhões de aplicações, o suficiente para imunizar quase 1,5 milhão de norte-americanos. 

Caminhões carregando caixas refrigeradas com a vacina saíram da fábrica da Pfizer em Michigan na tarde do domingo acompanhadas por seguranças. As doses foram colocadas em aviões da FedEx e da UPS, que levarão a carga para 600 locais em todos os estados do país.

"Hoje, não estamos fazendo frete, estamos entregando esperança", disse Andrew Boyle, copresidente da Boyle Transportation, que foi contratada pela UPS para ajudar na logística.

A vacina da Pfizer obteve 95% de eficácia nos testes clínicos. 

Primeiras doses da Pfizer chegam nos Estados Unidos (13 dez. 2020)
Primeiras doses da Pfizer chegam nos Estados Unidos
Foto: Reprodução/CNN (13.dez.2020)

Os Estados Unidos planejam distribuir 14 milhões de doses de vacina até o final de 2020, e um número entre 50 milhões e 80 milhões entre janeiro e fevereiro de 2021. Essa estimativa também inclui a candidata da Moderna, que deve passar por avaliação das agências reguladoras do país nos próximos dias.

"Esperamos ter imunizado 100 milhões de pessoas" no final do primeiro trimestre de 2021, disse Moncef Siaoui, diretor do comitê norte-americano para uma vacina contra o novo coronavírus, em entrevista ao canal Fox News.

Isso equivaleria a 30% da população —longe do suficiente para garantir a imunidade de rebanho que interromperia a transmissão do vírus. Logo, máscaras e distanciamento social continuam sendo necessários. 

Apesar do CDC ter recomendado que profissionais de saúde e residentes de casa de repouso sejam os primeiros a receberem a vacina, a decisão final é de cada um dos 50 estados. 

A distribuição enfrenta ainda outro desafio: a confiança do público. Muitos americanos estão preocupados que a velocidade recorde do desenvolvimento tenha comprometido a segurança dos imunizantes. Só 61% dos entrevistados em uma pesquisa da Reuters/Ipsos estavam dispostos a recebê-los.

A vacina chega em um momento crítico para a nação, que tem o maior número de casos e mortes em decorrência da doença em todo o mundo. Hospitalizações por conta do novo coronavírus bateram recordes nos últimos dias e, com a chegada dos feriados de final de ano, em pleno inverno, especialistas temem que a pandemia pode piorar antes de o grande público receber a imunização.

'Surto sobre surto'

A maioria dos americanos ainda terá de esperar meses até receber a vacina e, até lá, muitos estados estão registrando um volume de casos sem precedentes. 

A Califórnia reportou 35.729 casos no último sábado (12), quebrando o recorde estabelecido na sexta (11) de 35.468 episódios. A Flórida também registrou mais de 10 mil casos por três dias consecutivos. 

Com o resultado das viagens durante o feriado de Ação de Graças e reuniões que continuam acontecendo, as autoridades de saúde temem que o impacto da Covid-19 sobre as comunidades aumente ainda mais. 

A diretora de Saúde do condado de Los Angeles, Barbara Ferrer, deu um alerta sombrio para as próximas semanas, depois de anunciar na sexta-feira que o território dobrou o número de novos casos em 10 dias. 

"O problema agora é o que estamos chamando de surto de Ação de Graças", disse Ferrer. "Já tínhamos um surto e, agora, estamos tendo um surto sobre o surto, e é bastante difícil para nós calcular exatamente o que veremos na próxima semana ou na outra".

(*Com informações de Madeline Holcombe e Eric Levenson, da CNN Internacional, e da Reuters)