Aos 34 anos, homem condenado à prisão perpétua é solto nos EUA

Condenado em 2002 pela morte de uma criança vítima de bala perdida, Myon Burrell teve pena perpétua alterada por falhas encontradas no julgamento

Da CNN, em São Paulo
16 de dezembro de 2020 às 04:21 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 10:06


Nesta terça-feira (15), o estado de Minnesota, nos Estados Unidos, libertou Myon Burrell, de 34 anos, que foi condenado à prisão perpétua em 2002 pela morte de Tyesha Edwards, uma menina de 11 anos.

A garota foi atingida por uma bala perdida, mas o júri considerou Burrell culpado ao concluir que ele tentou assassinar Timothy Oliver, que estava perto da casa onde Tyesha foi morta.

Recentemente, porém, inconsistências foram identificadas no julgamento realizado há quase duas décadas, incluindo questões raciais. Burrell, que é negro, tinha 16 anos na época. 

Após apurar o caso, o Minnesota Pardons Board (Conselho de Perdões do Minnesota) alterou a sentença de prisão perpétua para uma pena de 20 anos. Agora, ele cumprirá o restante de sua sentença em regime de "soltura supervisionada" por cerca de dois anos.

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Myon Burrell, condenado à prisão perpétua, deixa penitenciária nos EUA
Myon Burrell, condenado à prisão perpétua em 2002, deixa penitenciária nos EUA após ter pena reduzida
Foto: CBS/ Reprodução

"Com base na ação da diretoria, autorizo que o Sr. Burrell seja liberado da custódia para cumprir o restante de seu tempo em situação de liberdade supervisionada", disse o Comissário Paul Schnell, do Departamento de Correções de Minnesota, em um memorando.

Burrell foi condenado ainda adolescente pelo assassinato de Tyesha Edwards, que foi morta após ser atingida por uma bala perdida que a atingiu seu peito.

Em fevereiro, reportagem da agência Associated Press (AP) levantou questões sobre a integridade do sistema de justiça criminal que julgou Burrell. A matéria apontou falhas na investigação do caso e sua condenação.

A Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP), que vinha buscando recursos para auxiliar Burrell desde que a rpeportagem da AP foi publicada, afirmou que o caso era um reflexo do trabalho que ainda precisa ser feito para reparar o sistema de justiça criminal.

"Continuaremos responsabilizando o sistema de justiça por suas transgressões na criminalização da juventude negra e correndo para colocá-los atrás das grades por um longo tempo", disse a NAACP em um comunicado.

(Com informações de Derek Francis, da Reuters)