Parlamentares da oposição na Venezuela tentam prosseguir após boicote eleitoral

Maduro refuta a ideia de que a eleição foi injusta, e comemorou a votação como uma reviravolta que submeterá o Legislativo ao controle do Partido Socialista

Brian Ellsworth e Vivian Sequera, da Reuters, em Caracas
22 de dezembro de 2020 às 16:25
Líder da oposição venezuelana Juan Guaidó
Foto: REUTERS/Manaure Quintero

O silêncio que pairava sobre o Parlamento da Venezuela no início dos procedimentos da semana passada foi rompido por um ruído de fundo que duraria toda a sessão: os estalos de equipamentos de construção que reformam o parque onde o Legislativo se reunia.

O parque é um dos poucos lugares em que os parlamentares de oposição conseguem se encontrar sem serem assediados pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que não somente os expulsou da sede do Congresso, mas forçou dezenas a se exilarem.

Os mandatos dos parlamentares opositores terminam em duas semanas e um novo Congresso se reunirá, já que os aliados de Maduro triunfaram em uma eleição parlamentar de 6 de dezembro que a oposição boicotou alegando ser fraudulenta.

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Maduro refuta a ideia de que a eleição foi injusta, e comemorou a votação como uma reviravolta que submeterá o Legislativo ao controle do Partido Socialista, apesar das sanções dos Estados Unidos à indústria petrolífera do país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que visam tirá-lo do poder.

Parlamentares oposicionistas estão debatendo como manter uma versão diminuta do Parlamento após o fim de seus mandatos, uma estratégia que pode sujeitá-los ao risco de prisão e ao mesmo tempo não descortina nenhum caminho claro para acelerar a partida de Maduro.

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Mas muitos insistem que o plano ajudará a manter o reconhecimento internacional do líder do Congresso, Juan Guaidó - que 50 nações veem como o presidente legítimo da Venezuela - e garantirá a sobrevivência da oposição.