Cepa sul-africana do coronavírus é mais perigosa que a britânica, diz ministro

Matt Hancock, ministro de Saúde do Reino Unido, diz que mutação identificada na África do Sul é um 'problema muito, muito significativo'

Reuters
04 de janeiro de 2021 às 09:22 | Atualizado 04 de janeiro de 2021 às 13:43


A variante do novo coronavírus identificada na África do Sul é ainda mais perigosa do que a mutação altamente infecciosa identificada no Reino Unido, disse o ministro de Saúde britânico, Matt Hancock, nesta segunda-feira (4).

"Estou extremamente preocupado com a variante sul-africana e é por isso que tomamos as medidas de restringir todos os voos da África do Sul", disse ele à rádio BBC.

"Este é um problema muito, muito significativo (...) e é ainda mais problemático do que a nova variante do Reino Unido", completou.

Também nesta segunda-feira, a emissora britânica ITV disse, citando um consultor científico não identificado do governo britânico, que cientistas não estariam totalmente confiantes de que as vacinas contra a Covid-19 funcionarão contra a variante do coronavírus encontrada na África do Sul.

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Representação gráfica do novo coronavírus, causador da doença Covid-19
Representação gráfica do novo coronavírus, causador da doença Covid-19
Foto: Gerd Altmann/Pixabay

"De acordo com um dos consultores científicos do governo, o motivo da 'incrível preocupação' de Matt Hancock sobre a variante sul-africana do Covid-19 é que eles não estão tão confiantes de que as vacinas serão tão eficazes contra ela quanto são para a variante do Reino Unido”, afirmou o editor político da ITV, Robert Peston.

Cientistas, incluindo o CEO da BioNTech, Ugur Sahin, e John Bell, professor de medicina da Universidade de Oxford, disseram que estão testando as vacinas nas novas variantes e afirmam que podem fazer os ajustes necessários em cerca de seis semanas.

A mutação sul-africana

Os cientistas dizem que a variante sul-africana do novo coronavírus tem múltiplas mutações na importante proteína "spike" que o vírus usa para infectar células humanas.

Também tem sido associada a maior carga viral, significando maior concentração de partículas virais no corpo dos pacientes, possivelmente contribuindo para níveis mais elevados de transmissão.

Bell, que assessora a força-tarefa de vacinação do governo, disse no domingo (3) que achava que as vacinas funcionariam na variante britânica, mas que havia um "grande ponto de interrogação" sobre se funcionariam na variante sul-africana.

Sahin da BioNTech disse à Spiegel em uma entrevista publicada na sexta-feira (1º) que sua vacina – que usa RNA mensageiro para instruir o sistema imunológico humano a combater o coronavírus – deve ser capaz de lidar com a variante detectada pela primeira vez no Reino Unido.

"Estamos testando se nossa vacina também pode neutralizar essa variante e em breve saberemos mais", disse ele.

Questionado sobre como lidar com uma forte mutação, ele disse que seria possível ajustar a vacina conforme necessário dentro de seis semanas – embora isso possa exigir aprovações regulatórias adicionais.