Juiz dos EUA bloqueia execução de única mulher no corredor da morte 

Foi bloqueada a execução de Lisa Montgomery, uma assassina condenada e a única mulher no corredor da morte federal nos EUA, por motivos de saúde mental

Por Bhargav Acharya, da Reuters
12 de janeiro de 2021 às 04:08
Maca de aplicação de injeção letal
Maca de aplicação de injeção letal nos EUA
Foto: Departamento de Correções da Pensilvânia


Um juiz federal de Indiana bloqueou na noite de segunda-feira (12) a execução de Lisa Montgomery, uma assassina condenada e a única mulher no corredor da morte federal nos Estados Unidos, por motivos de saúde mental, com base em evidências de que ela era incapaz de compreender a justificativa do governo para sua execução.

A decisão foi posteriormente confirmada pelo Tribunal de Apelações dos EUA para o circuito do Distrito de Columbia, empurrando qualquer nova data de execução para a administração de Joe Biden, a menos que a Suprema Corte intervenha.

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Montgomery, que deveria ser morta por injeção letal em 12 de janeiro, foi condenada em 2007 no Missouri por sequestro e estrangulamento de Bobbie Jo Stinnett, então grávida de oito meses. Montgomery cortou a barriga de Stinnett e roubou o bebê do útero. A criança sobreviveu.

O juiz americano James Patrick Hanlon concedeu a suspensão da execução para permitir que o tribunal conduzisse uma audiência para determinar se ela é competente para ser executada, de acordo com uma ação judicial feita no tribunal distrital dos EUA do Distrito Sul de Indiana.

O advogado de Montgomery, Kelley Henry, saudou a decisão do juiz e disse que o tribunal estava certo em interromper sua execução.

“A Sra. Montgomery está se deteriorando mentalmente e estamos buscando uma oportunidade de provar sua incompetência”, disse Henry em um comunicado.

Os advogados disseram que a condenada admite a culpa do crime, mas merece clemência porque há muito sofre os reflexos de por ter sido estuprada por seu padrasto e amigos durante uma infância abusiva.