Principal associação de lobby pró-armas nos Estados Unidos, NRA pede falência

O pedido de falência segue mudanças de liderança e alegações de má gestão financeira na associação nos últimos anos

Clare Duffy, da CNN
16 de janeiro de 2021 às 16:59 | Atualizado 16 de janeiro de 2021 às 17:06
Foto de um rifle
Associação é a principal entidade de lobby para o porte de armas nos Estados Unidos
Foto: STNGR Industries/Unsplash


A Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), principal entidade de lobby pró-armas nos Estados Unidos, deu entrada no seu pedido de falência, de acordo com documentos judiciais protocolados na sexta-feira (15) no Distrito Norte do Texas.

Nos documentos o grupo afirma que pretende deixar o estado de Nova York, onde foi fundado em 1871, e reincorporar-se como uma organização sem fins lucrativos do Texas em um movimento que chama de "Projeto Liberdade", de acordo com um comunicado publicado na sexta-feira.

O pedido de falência segue mudanças de liderança e alegações de má gestão financeira na associação nos últimos anos.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, entrou com uma ação em agosto acusando a liderança sênior da associação de violar as leis que regem grupos sem fins lucrativos e usar milhões de dólares das reservas da organização para uso pessoal e fraude fiscal.

De acordo com a procuradora, a gestão atual da associação, e também a anterior, instituíram uma cultura “de má gestão autocentrada" que beneficiou a si, seus familiares, amigos e fornecedores favorecidos, levando a organização a perder mais de US$ 63 milhões (quase R$ 335 milhões) em três anos.

Em resposta, a NRA entrou com uma ação na qual alega que a procuradora-geral estava dificultando os direitos da Primeira Emenda do grupo.

Em 2019, a associação operava com um déficit de US$ 12,2 milhões (aproximadamente R$ 64,5 milhões), de acordo com a declaração de imposto de renda de 2019 obtida pela CNN em novembro. 

O processo também afirma que a associação tomou conhecimento de um "desvio significativo" de seus recursos em 2019 e em anos anteriores, e que o CEO e vice-presidente-executivo da NRA, Wayne LaPierre, pagou cerca de US$ 300 mil mais juros de fundos pela despesa.