Biden decide retirar busto polêmico de Winston Churchill de seu gabinete

O caso do busto de Winston Churchill na Casa Branca já foi um escândalo de arte internacional anos atrás, ao ser retirado pelo também democrata Barack Obama

Kevin Liptak, da CNN
22 de janeiro de 2021 às 11:37
Busto Churchill e Biden
À esquerda o busto de Winston Churchill e à direita Joe Biden em seu recém-reformado gabinete
Foto: UK Embassy e REUTERS/Kevin Lamarque

O caso do busto de Winston Churchill na Casa Branca já foi um escândalo de arte internacional anos atrás, em uma história fervilhante, confusa e carregada de pitadas de racismo.

O presidente Joe Biden o removeu do Salão Oval após quatro anos ao lado de seu antecessor, Donald Trump, que pensava que se parecia com o primeiro-ministro britânico dos anos da Segunda Guerra Mundial.

No lugar da peça, a reforma do Salão Oval trouxe novos bustos: do líder latino-americano dos direitos civis Cesar Chavez, do reverendo Martin Luther King Jr., de Robert F. Kennedy, Rosa Parks e Eleanor Roosevelt.

Anos atrás, na posse de Barack Obama, a mesma decisão causou protestos. Conservadores norte-americanos e até mesmo alguns políticos britânicos declararam que retirar a imagem de Churchill era uma grande afronta.

 

 

Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, disse que a remoção acontecera porque o presidente Barack Obama “provavelmente cresceu ouvindo que os britânicos eram um bando de imperialistas que perseguiam seu avô”.

O senador republicano Ted Cruz, do Texas, afirmou que a decisão da decoração “prenunciou tudo o que estava por vir nos próximos seis anos”.

Boris Johnson, que naquela época era prefeito de Londres e hoje é primeiro-ministro, foi mais longe. Ele culpou a “antipatia ancestral do presidente meio queniano pelo império britânico”.

Os ataques foram abertamente racistas – e também enganosos. As autoridades do governo Obama ficaram furiosas.

Joe Biden toma posse como presidente dos Estados Unidos
O democrata Joe Biden toma posse como novo presidente dos Estados Unidos
Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Na verdade, existem dois bustos idênticos de Churchill, ambos do escultor modernista britânico Sir Jacob Epstein. Um está na coleção da Casa Branca desde o governo de Lyndon B. Johnson (1963-1969). Outro foi emprestado pelo primeiro-ministro Tony Blair à Casa Branca então sob o comando de George W. Bush (2001-2009) quando o outro estava sendo restaurado.

A peça enviada por Tony Blair ficou em exibição no Salão Oval até a partida de Bush para a entrada de Obama. Então, foi devolvida ao governo britânico.

Sob Obama, a versão de propriedade da Casa Branca não foi exibida no Salão Oval; em vez disso, o presidente o manteve do lado de fora da Sala do Tratado na Residência, por onde passava quando queria assistir às partidas de basquete nos fins de semana e à noite. Ele escolheu colocar o busto de Churchull ali para que pudesse ver durante seu tempo pessoal. No escritório, Obama tinha um busto de Martin Luther King Jr.

 

 

Ao abordar a situação durante seu último ano no cargo, em uma visita a Londres, Obama disse: “Eu amo o cara. [Mas] Existem algumas mesas onde é possível colocar bustos. Caso contrário, começa a parecer um pouco cheio demais”.

Quando Trump chegou, ele devolveu o busto de Churchill ao Salão Oval, para grande prazer (declarado) dos britânicos. A então primeira-ministra Theresa May, que foi a primeira visitante estrangeira de Trump no Salão Oval, trouxe a versão britânica do busto para apresentar a Trump. Autoridades disseram que a equipe Trump havia pedido a escultura.

“Ficamos muito satisfeitos pelo senhor ter aceitado de volta [a peça]”, disse May.

Agora, o busto foi retirado novamente. Mas Boris Johnson, que hoje é primeiro-ministro e espera cimentar fortes laços com o novo governo, não parece ter a mesma reação.

“O Salão Oval é o gabinete privado do presidente, e cabe a ele decorá-lo como desejar”, disse um porta-voz do governo britânico na quinta-feira (21). “Não temos dúvidas sobre a importância que o presidente Biden atribui ao relacionamento entre o Reino Unido e os Estados Unidos, e o primeiro-ministro espera ter esse relacionamento próximo com ele”.

(Texto traduzido, leia o original em inglês).