Após perder maioria no Senado, primeiro-ministro da Itália renuncia ao cargo

Giuseppe Conte entregou renúncia ao presidente Sergio Mattarella, que abrirá consulta com partidos para tentar superar impasse político sem novas eleições

Da CNN, em São Paulo
26 de janeiro de 2021 às 09:14 | Atualizado 26 de janeiro de 2021 às 11:07


O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, entregou sua renúncia ao chefe de Estado nesta terça-feira (26), abrindo caminho para consultas formais sobre como superar a crise política sem a necessidade de novas eleições, disse o gabinete do presidente.

O presidente Sergio Mattarella iniciará conversas com líderes partidários na tarde de quarta-feira (27), disse seu gabinete, acrescentando que Conte foi convidado a permanecer como interino durante as negociações.

Conte perdeu a maioria no Senado, na semana passada, quando o partido centrista Italia Viva, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, saiu da coalizão por causa da forma como o governo lidou com a crise do coronavírus e a recessão econômica.

Além disso, os esforços de Conte para atrair senadores independentes e centristas para as fileiras do governo tiveram pouco sucesso.

 

Premiê da Itália, Giuseppe Conte, pediu responsabilidade aos italianos
Giuseppe Conte renunciou ao cargo de primeiro-ministro da Itália após perder maioria no Senado
Foto: Reuters


Ele estava no cargo de premiê desde junho de 2018 e espera que o presidente lhe dê um mandato para formar um novo governo com apoio mais amplo no Parlamento, disseram fontes do governo.

Se o presidente acha que Conte pode garantir o apoio necessário para montar um novo governo, o presidente provavelmente lhe dará alguns dias para tentar finalizar um acordo e criar um novo gabinete.

Até agora, os principais partidos da coalizão – o anti-establishment Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda – apoiaram os esforços de Conte para permanecer no poder.

“Conte é o elemento essencial e precisamos ampliar e relançar a ação do governo”, disse Debora Serracchiani, vice-chefe do PD, à emissora estatal RAI.

No entanto, se Conte não conseguir encontrar novos aliados, Mattarella terá que apresentar um candidato alternativo considerado capaz de montar uma coalizão viável.

E se tudo mais falhar, o presidente terá que convocar uma eleição, dois anos antes do previsto, embora analistas políticos digam que este é o cenário menos provável.

As pesquisas de opinião mostram que Conte é o líder mais popular da Itália, com um índice de aprovação de 56%, quase 20 pontos acima do próximo político mais próximo, de acordo com uma pesquisa publicada pelo jornal Corriere della Sera no sábado (23).

(Com informações da Reuters)