Em audiência, premiê de Israel se declara inocente de acusações de corrupção

Benjamin Netanyahu permaneceu no tribunal, em Jerusalém, por cerca de 20 minutos; em discurso, ele se disse vítima de caça às bruxas promovida pela esquerda

Reuters
08 de fevereiro de 2021 às 07:44

Benajamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, se declarou inocente de acusações de corrupção
Foto: Gali Tibbon / Reuters (16.fev.2020)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se declarou inocente nesta segunda-feira (8) das acusações de corrupção no reinício de seu julgamento, seis semanas antes dos eleitores irem às urnas no país.

"Confirmo a resposta por escrito enviada em meu nome", disse Netanyahu, diante do painel de três juízes no Tribunal Distrital de Jerusalém.

Ele se referia a um documento que seus advogados deram ao tribunal no mês passado, no qual argumentaram que Netanyahu, de 71 anos, não era culpado das acusações de suborno, quebra de confiança e fraude.

Usando uma máscara, Netanyahu, o primeiro líder israelense a ser acusado de um crime no exercício do cargo, parecia ter a intenção de projetar um ar de normalidade, agradecendo ao tribunal e saindo sem explicação após 20 minutos de sessão.

Ele foi indiciado em 2019 em um caso de longa data envolvendo presentes de amigos milionários e por supostamente buscar favores regulatórios para magnatas da mídia em troca de cobertura favorável.

Ao entrar no tribunal, Netanyahu sentou-se em um canto com seus advogados, de costas para as câmeras. A sessão em si não foi transmitida, mas os repórteres puderam acompanhar por um circuito fechado em outro lugar do prédio.

Sua saída rápida do prédio do tribunal parecia ter o objetivo de mostrar ao público que ele não permitiria que o julgamento interferisse no governo, já que Israel começa a sair de um lockdown por coronavírus que durou um mês.

Na sessão, Netanyahu sentou-se com os braços cruzados e tossiu ocasionalmente em sua máscara, antes de tirá-la para tomar água.

Em maio, na abertura do julgamento, Netanyahu fez um desafio à corte que seus oponentes condenaram como um desafio ao Estado de Direito.

Antes que a sessão começasse, Netanyahu fez um discurso em um corredor, qualificando a acusação como uma caça às bruxas da esquerda com o objetivo de destituir um primeiro-ministro de direita.

Desta vez, ele fez um apelo público aos apoiadores para ficarem longe, citando altos números de contágio na pandemia do novo coronavírus.

Eles atenderam amplamente ao seu apelo, mas dezenas de oponentes, alguns segurando cartazes com os dizeres "ministro do crime", exigiam sua renúncia em um protesto perto do prédio do tribunal.

Israel realizará sua quarta eleição parlamentar em dois anos em 23 de março, com a forma como Netanyahu tratou a crise de saúde e sua suposta corrupção sendo as principais questões em debate.

As pesquisas de opinião mostram que a votação será muito disputada, com rivais de direita e oponentes de centro-esquerda se reunindo contra o líder que comandou Israel por mais tempo. Netanyahu é primeiro-ministro continuamente desde 2009, após um primeiro mandato de 1996 a 1999.