Trump ofereceu carona a Kim Jong-un no Air Force One após cúpula no Vietnã

Fonte ouvida pela CNN diz que ex-presidente dos EUA fez oferta sem perguntar seus assessores se haveria problemas; líder norte-coreano recursou

Jim Acosta e Paul LeBlanc, da CNN
23 de fevereiro de 2021 às 07:23
Trump (D) ofereceu carona no Air Force One a Kim após cúpula no Vietnã, em 2019
Donald Trump (D), ex-presidente dos EUA, ofereceu carona no Air Force One a Kim Jong-un após cúpula no Vietnã, em 2019
Foto: CNN

O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu ao líder norte-coreano Kim Jong-un uma carona no Air Force One após cúpula no Vietnã, em 2019, afirmou à CNN um ex-funcionário do alto escalão do governo que estava na viagem.

O ex-funcionário disse que Trump não perguntou a nenhum de seus assessores se haveria problemas em fazer tal oferta. "Só fez isso por seu amigo", disse o ex-funcionário, referindo-se ao relacionamento caloroso de Trump com Kim.

A BBC foi a primeira a relatar a história. Matthew Pottinger, o principal especialista asiático no Conselho de Segurança Nacional de Trump, afirmou à emissora britânica: "O presidente Trump ofereceu a Kim uma carona para casa no Air Force One. O presidente sabia que Kim havia chegado em uma viagem de trem de vários dias pela China até Hanói e disse: 'Posso levá-lo para casa em duas horas, se quiser.' Kim recusou."

A surpreendente oferta feita a um ditador aconteceu depois de Trump encerrar a cúpula de Hanói sem um acordo conjunto, depois de Kim insistir que todas as sanções dos EUA contra seu país fossem suspensas. 

Esse era um passo muito avançado mesmo para Trump, que disse na época que Kim havia oferecido tomar algumas medidas para desmantelar seu arsenal nuclear, mas não o suficiente para justificar o fim do debilitante regime de sanções contra o país.

"Às vezes você tem que recuar", disse Trump durante uma entrevista coletiva após a conclusão da cúpula, que foi interrompida antes do planejado. "Este foi apenas um daqueles momentos."

A notícia da oferta da carona de Trump a Kim deve alimentar um novo escrutínio de sua relação pessoal íntima com o líder norte-coreano, um ditador que supervisionou violações dos direitos humanos na Coreia do Norte. 

Trump evitou em grande parte qualquer menção aos direitos humanos durante suas conversas com Kim durante a cúpula, se concentrando nas perspectivas de investimento financeiro se Kim concordasse em abandonar suas armas nucleares.

Quando um repórter perguntou a Kim se o assunto havia sido discutido, Trump respondeu por ele. "Estamos discutindo tudo", disse ele.

O ex-presidente já havia dito que adorava Kim e trocou cartas entusiasmadas que ressaltaram seu relacionamento incomum. 

Trump vangloriou-se no ano passado de ter recebido um "bilhete legal" de Kim, dizendo: "Acho que estamos indo bem". Mais tarde, Pyongyang negou que Kim tivesse enviado uma carta a Trump e o acusou de evocar o relacionamento pessoal para "fins egoístas".

(Texto traduzido; leia o original em inglês)