Rússia pede que Eslováquia devolva doses da vacina Sputnik V após desavença

Eslováquia importou 200 mil doses no mês passado, o segundo país da União Europeia a fazê-lo, além da Hungria

Por Polina Ivanova e Jan Lopatka, da Reuters
08 de abril de 2021 às 18:27
Profissional de saúde enche seringa com vacina Sputnik V contra Covid-19
Profissional de saúde enche seringa com vacina Sputnik V contra Covid-19
Foto: Maxim Shemetov/Reuters

A Rússia pediu nesta quinta-feira (8) que a Eslováquia devolva centenas de milhares de doses de sua vacina contra coronavírus Sputnik V citando violações contratuais, uma disputa que só aumenta desde que uma agência reguladora eslovaca expressou dúvidas sobre o imunizante.

Mais cedo nesta quinta-feira, a agência de medicamentos eslovaca SUKL disse que levas de vacinas Sputnik V que recebeu diferem daquelas analisadas por cientistas internacionais e pela agência de medicamentos europeia.

A Eslováquia importou 200 mil doses no mês passado, a segunda nação da União Europeia a fazê-lo apesar da falta de uma aprovação regulatória do bloco – a outra foi a Hungria.

Embora tenha aprovado o uso da vacina como um remédio sem registro e recebido uma remessa inicial, o país não começou a administrar a vacina, e o Ministério da Saúde eslovaco também solicitou que sua agência de medicamentos realize uma análise.

A agência disse ter descoberto que a forma de dosagem da vacina – a maneira como ela é apresentada, como por exemplo em uma solução – divergiu do produto sendo verificado atualmente pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) como parte de uma análise em etapas exigida para uma aprovação na UE.

A SUKL afirmou que as levas enviadas à Eslováquia também mostram características diferentes daquelas usadas em estudos publicados no The Lancet, periódico médico supervisionado pela comunidade científica.

O fundo soberano russo responsável pela comercialização da vacina no exterior disse que "todas as levas de Sputnik V são da mesma qualidade e passam por um controle de qualidade rigoroso no Instituto Gamaleya".