Agentes da inteligência dos EUA irão para o Haiti, informa Casa Branca

Membros do FBI e do Departamento de Segurança Interna ajudarão nas investigações sobre assassinato de presidente

Betsy Klein e Veronica Stracqualursi, da CNN
10 de julho de 2021 às 16:09 | Atualizado 10 de julho de 2021 às 16:10
O presidente do Haiti, Jovenel Moise
O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado em casa nesta semana
Foto: Riccardo Savi/Getty Images for Concordia Summit

Após pedido do Haiti, os Estados Unidos enviarão agentes do FBI e do Departamento de Segurança Interna ao país após o assassinato do presidente da nação no início desta semana. O país caribenho também pediu pela presença de tropas americanas no local.

"Os EUA continuam engajados", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, aos repórteres na sexta-feira (09), acrescentando que funcionários do alto escalão dos dois órgãos viajarão para Porto Príncipe "o mais rápido possível", onde, segundo ela, avaliarão a situação e prestarão assistência na segurança e na investigação.

O governo haitiano solicitou às tropas norte-americanas que ajudem a proteger a infraestrutura, portos, aeroportos e sistemas de energia, informou à CNN o ministro das Eleições do Haiti, Mathias Pierre. Mathias disse que o pedido era de um número limitado de cerca de 500 tropas e que ele antecipou a ameaça da presença de "mercenários em potencial".

O Pentágono recebeu o pedido na sexta-feira à tarde. "O governo haitiano solicitou segurança e assistência investigativa, e nós permanecemos em contato regular com oficiais haitianos para discutir como os Estados Unidos podem ajudar. Para qualquer outra informação, contate o Departamento de Estado dos Estados Unidos", disse o Pentágono em uma declaração. A CNN pediu nota ao órgão.

O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi morto durante um ataque a sua residência particular na capital de Porto Príncipe na quarta-feira de manhã. A primeira dama do Haiti, Martine Moise, também foi baleada no ataque e evacuada para um hospital em Miami para tratamento.

O assassinato de Moise lançou a nação caribenha em um tumulto mais profundo, já que sua morte deixa um vácuo de poder e vem no momento em que o Haiti vive uma onda de extrema violência, uma crise humanitária crescente e a pandemia de Covid-19 em agravamento.

O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi morto em um ataque em sua residência
Foto: Joseph Odelyn/AP

 A polícia haitiana deteve até agora 17 suspeitos, incluindo dois cidadãos americanos, em conexão com o tiroteio fatal e está procurando por pelo menos mais oito suspeitos. Pouco se sabe sobre os suspeitos e sua motivação para o ataque.

Pressionada pelas notícias de que dois haitianos americanos estavam envolvidos com o assassinato, Psaki se recusou a comentar. "A investigação está sendo conduzida pelas forças policiais haitianas no local", disse ela, recusando-se a se antecipar à investigação em andamento.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, também confirmou na sexta-feira que a Polícia Nacional Haitiana solicitou assistência de investigação dos EUA e os EUA estão respondendo a esse pedido.

Psaki também delineou a assistência existente dos EUA ao país, incluindo o Centro de Narcóticos Internacionais e Assuntos de Aplicação da Lei do Departamento de Estado, a assistência direta à Polícia Nacional Haitiana sobre violência de gangues e intervenção comunitária.

Além disso, ela observou que o Departamento de Segurança Nacional estendeu o status de Proteção Temporária ao Haiti por 18 meses, ainda sob implementação. 

O Haiti também estará recebendo vacinas dos EUA, acrescentou Psaki, que poderão chegar "já na próxima semana" dependendo das autorizações de embarque.

O país é um dos poucos em todo o mundo que ainda não começou a vacinação contra o vírus.