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    À CNN, Obama diz que processos contra Trump demonstram força do Estado de Direito

    Ex-presidente dos Estados afirma, entretanto, que ainda há sinais de que as normas democráticas estão sendo corroídas

    Ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour
    Ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour Divulgação/CNN

    Kevin Liptakda CNN

    As instituições democráticas nos Estados Unidos e em todo o mundo ficaram “rangentes”, alertou o ex-presidente Barack Obama em uma entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (22). Em sua opinião, continua sendo responsabilidade dos líderes norte-americanos encontrar maneiras de sustentá-las no futuro.

    Ele disse à âncora da CNN Christiane Amanpour que a acusação contra Donald Trump é uma evidência de que o Estado de Direito ainda reina, por enquanto, nos EUA.

    Segundo Obama, o esforço ocidental para garantir a soberania da Ucrânia é vital para a proteção de longo prazo da democracia.

    Entretanto, o ex-presidente afirmou que ainda há sinais de que as normas democráticas estão sendo corroídas. Ele alerta que as desigualdades econômicas e sociais só dificultariam sustentar democracias saudáveis ​​no futuro.

    “Acredito que a democracia vencerá se lutarmos por ela”, expõe Obama durante a entrevista em Atenas, onde está discutindo questões de democracia. “Nossas instituições democráticas existentes são frágeis e teremos que reformá-las”, prosseguiu.

    Durante o programa “Obama & Amanpour: A democracia vencerá?”, o ex-líder norte-americano ofereceu uma visão ampla das questões democráticas e políticas globais – incluindo a acusação de Trump no início deste mês.

    “É menos do que ideal”, citou Obama sobre Trump. “Mas o fato de termos um ex-presidente que está tendo que responder às acusações apresentadas pelos promotores confirma a noção básica de que ninguém está acima da lei e as alegações agora serão resolvidas por meio de um processo judicial”, completou.

    Ele disse que mais preocupante do que as próprias ações de Trump é um esforço mais amplo para “silenciar os críticos por meio de mudanças no processo legislativo” ou “intimidar a imprensa”. Em suas opinião, esses esforços são “agora mais proeminentes no Partido Republicano, mas não acho que seja algo exclusivo de um partido”.

    “Tendo sido presidente dos Estados Unidos, você precisa de um presidente que leve o juramento de posse a sério”, declarou. “Você precisa de um presidente que acredite não apenas na letra, mas no espírito da democracia.”

    A viagem de Obama esta semana à Grécia marcou um retorno ao local de uma de suas últimas paradas no exterior como presidente. Em 2016, pouco depois de Trump ter sido eleito seu sucessor, Obama saudou o poder duradouro da democracia norte-americana desde o antigo local de nascimento do sistema.

    Naquela época, enquanto seus apoiadores e chefes de Estado estrangeiros se preocupavam com o futuro sob Trump, Obama disse que a democracia americana era “maior do que qualquer pessoa”.

    Ele emprestou simbolismo ao seu compromisso com os ideais democráticos quando subiu a Acrópole no centro de Atenas e visitou o Parthenon, o templo de 2.500 anos construído pelos antigos gregos dedicado à deusa Atena. Ele também visitou o museu construído próximo ao local que abriga antiguidades da época.

    Desde então, no entanto, as preocupações com a democracia norte-americana e global só se intensificaram. As falsas alegações de Trump sobre a eleição de 2020 e a subsequente tentativa de insurreição no Capitólio dos EUA revelaram o quão frágil o sistema permanece. E autocratas ao redor do mundo se consolidaram no poder.

    Reunir-se com ditadores ou outros líderes antidemocráticos são apenas uma das facetas complexas da presidência norte-americana, expôs Obama, lembrando que lidou com muitas figuras com as quais não concordou durante sua passagem pela Casa Branca.

    “Olha, é complicado”, disse Obama. “O presidente dos Estados Unidos tem muitas ações. E quando eu era presidente, lidava com figuras em alguns casos que eram aliados, que, você sabe, se você me pressionasse em particular, eles dirigem seus governos e seus partidos políticos de maneiras que eu diria serem idealmente democráticas? Eu teria que dizer não”, justificou.

    Os comentários foram feitos poucas horas antes da Casa Branca estender o tapete vermelho para o primeiro-ministro indiano Narendra Modi em uma visita oficial de Estado.

    Modi foi acusado por grupos de direitos humanos de se inclinar para o autoritarismo, mas também é o líder da democracia mais populosa do mundo e é visto pela Casa Branca como um importante baluarte contra a crescente influência da China.

    Obama citou seu trabalho com o presidente chinês Xi Jinping sobre a mudança climática como um exemplo de como encontrar interesses comuns, mesmo com líderes com histórico ruim de direitos humanos. Nesta semana, Biden comparou Xi a um ditador em comentários a doadores na Califórnia.

    “Você tinha que fazer negócios com eles, porque eles são importantes por motivos de segurança nacional. Há, você sabe, uma gama de interesses econômicos”, explicou Obama.

    “Eu acho que é apropriado para o presidente dos Estados Unidos, onde ele ou ela pode, defender esses princípios e desafiar – seja a portas fechadas ou em público – tendências que são preocupantes. E, portanto, estou menos preocupado com rótulos do que com práticas específicas”, continuou.

    Modi, que está sendo homenageado por Biden nesta quinta-feira, demonstrou uma inclinação para o autoritarismo que preocupa o Ocidente. Ele reprimiu a dissidência, atacou jornalistas e introduziu políticas que grupos de direitos humanos dizem discriminar os muçulmanos.

    Obama reconheceu que também trabalhou com Modi nas mudanças climáticas e em outras áreas. Mas ele disse que levantar preocupações sobre a democracia indiana também deve entrar em conversas diplomáticas.

    “Parte do meu argumento seria que, se você não proteger os direitos das minorias étnicas na Índia, há uma forte possibilidade de que a Índia em algum momento comece a se separar. E vimos o que acontece quando você começa a ter esses tipos de grandes conflitos internos”, citou.

    Enquanto esteve na Grécia, Obama também se reuniu com participantes do programa Obama Foundation Leaders. Os líderes da África, Ásia e Europa participaram de sessões de grupo com o ex-presidente e fizeram apresentações de seu trabalho para promover a democracia e encontrar soluções para questões sociais.

    Obama declarou na entrevista que nenhuma democracia poderia prosperar com altos níveis de desigualdade social ou econômica. Ele usou o exemplo de um barco de migrantes superlotado que afundou no Mediterrâneo neste mês, matando centenas, que recebeu comparativamente pouca atenção como um submersível desaparecido em torno dos destroços do Titanic.

    “De certa forma, é indicativo do grau em que as chances de vida das pessoas se tornaram tão díspares”, finalizou.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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