“Absurdo” dizer que premiê britânico mentiu sobre festa em lockdown, diz vice

Boris Johnson enfrenta a crise mais grave de seu mandato após revelações sobre festas privadas durante períodos de lockdown contra a Covid-19

Vice-premiê do Reino Unido, Dominic Raab, após reunião na residência oficial do primeiro-ministro em Londres
Vice-premiê do Reino Unido, Dominic Raab, após reunião na residência oficial do primeiro-ministro em Londres Hannah McKay/REUTERS/18/01/2022

Guy FaulconbridgeMichael Holdenda Reuters

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A acusação do ex-conselheiro sênior do primeiro-ministro britânico Boris Johnson de que ele teria mentido ao Parlamento sobre uma festa no período de lockdown em sua residência oficial é absurda, afirmou o vice de Johnson nesta terça-feira (18).

Johnson enfrenta a crise mais grave de seu mandato após revelações sobre reuniões durante períodos de lockdown contra a Covid-19, quando os britânicos não podiam se despedir de parentes e enquanto a rainha vivia o luto pela morte de seu marido.

Levado ao principal cargo político do país para “entregar o Brexit”, Johnson conquistou a maioria mais expressiva de seu partido nos últimos 30 anos, mas agora enfrenta pedidos de renúncia por parte de seus adversários e até de seus próprios colegas de sigla.

Perguntado se o primeiro-ministro estaria perdido se fosse comprovado que ele mentiu sobre as festas em Downing Street, o vice-primeiro-ministro Dominic Raab disse: “Veja, a sugestão de que ele teria mentido é absurda”.

“Ele deixou bem claro na Câmara dos Comuns, respondeu perguntas sobre isso, dizendo que acreditou que aquele seria um evento de trabalho”, disse Raab à Rádio Times.

No entanto, Raab concordou em entrevistas posteriores que, por princípio, se um ministro deliberadamente mentir para o Parlamento, é uma questão de renúncia.

Johnson pediu desculpas na semana passada ao Parlamento por comparecer à festa em Downing Street no dia 20 de maio de 2020. Ele afirmou que pensava ser um evento de trabalho, e que compareceu por 25 minutos para agradecer à equipe.

“Eu acreditei implicitamente que aquele era um evento de trabalho, mas pensando em retrospectiva, eu deveria ter mandado todos para dentro”, disse Johnson ao Parlamento no dia 12 de janeiro.

Premiê britânico, Boris Johnson, durante sessão de perguntas no parlamento em Londres, Reino Unido (Foto: Parlamento britânico/Jessica Taylor/Handout via REUTERS)

Mas Dominic Cummings, um dos arquitetos da saída britânica da União Europeia e ex-conselheiro sênior que deixou o governo após discordâncias amargas em novembro de 2020, disse que Johnson havia concordado com a realização da confraternização dos funcionários com bebidas.

Cummings disse que ele e pelo menos um outro conselheiro disseram ao secretário principal privado (PPS) de Johnson Martin Reynolds, autoridade que convidou as pessoas à festa, que ela não deveria acontecer.

O alerta foi enviado por e-mail, de acordo com Cummings.

“Eu disse ao PPS que o convite quebrava as regras”, disse. “A ideia que o PPS foi contestado pelas duas pessoas mais sêniores do prédio, disse que checaria com o primeiro-ministro e não o fez –não é verossímil.”

Raab disse que não irá especular sobre hipóteses e se recusou repetidas vezes a dizer como as duas versões dos eventos podem ser conciliadas.

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