Abuso infantil: CNN investiga esquema de transmissão ao vivo nas Filipinas
Investigação da CNN Internacional expõe indústria de abuso sexual de crianças filipinas transmitido ao vivo, financiada por cidadãos dos Estados Unidos
As Filipinas se tornaram um epicentro global da indústria de exploração sexual infantil online. Uma investigação da CNN Internacional revelou que milhares de crianças são forçadas a produzir conteúdo abusivo que é vendido e transmitido ao vivo pela internet, com a demanda impulsionada principalmente por homens dos Estados Unidos.
A reportagem especial detalha a escala alarmante dessa indústria criminosa, que utiliza transmissões ao vivo sob demanda para que predadores estrangeiros direcionem abusos em tempo real.
Segundo o Conselho de Combate à Lavagem de Dinheiro das Filipinas, os Estados Unidos figuram como o principal país de origem do financiamento desse tipo de material por mais de uma década.
Vítimas exploradas por pessoas de confiança
Um número estimado de um milhão de crianças foi colocado diante de câmeras, frequentemente por pessoas em quem mais confiavam. O caso de Kate, que tinha 13 anos à época, ilustra essa realidade: ela foi abusada por sua irmã adotiva.
"Em vez de pensar no que ela estava fazendo, eu só pensava que ela fazia aquilo porque não sobreviveria se não fizesse", relatou Kate na reportagem.
Ela afirma não conseguir lembrar o número de homens para quem foi obrigada a se apresentar, mas diz que muitos eram americanos, explorando famílias em situação de desespero financeiro.
Motivação financeira por trás dos abusos
De acordo com fontes ouvidas pela CNN Internacional, grande parte dos perpetradores nas Filipinas são mulheres na faixa dos 20 e 30 anos, e não são motivados sexualmente.
"A única razão pela qual estão abusando de crianças e transmitindo ao vivo é porque alguém nos Estados Unidos é capaz de pagar por esse abuso", afirmou uma das fontes da investigação.
Material disseminado em aplicativos de mensagens
A investigação aponta que, embora o material tenha se tornado mais difícil de encontrar na web aberta, ele migrou para canais privados em aplicativos de mensagens.
Canais privados permitem que o material abusivo se prolifere sem controle, estando a poucos cliques de distância. A equipe da CNN entrou em alguns desses grupos e constatou vídeos de crianças em situações extremamente comprometedoras.
Ao tentar contato com vendedores que anunciavam conteúdo, quase todos responderam em minutos. Em apenas três trocas de mensagens com um usuário anônimo, a equipe recebeu uma oferta de material de abuso sexual envolvendo crianças pré-adolescentes.


