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    África do Sul e Israel comemoram decisão de Tribunal da ONU, mas ninguém saiu ganhando

    Medida permitiu que cada parte envolvida criasse uma narrativa vitoriosa mesmo desagradando a todos

    Corte Internacional de Justiça em Haia durante audiência sobre Gaza
    Corte Internacional de Justiça em Haia durante audiência sobre Gaza 11/1/2024 REUTERS/Thilo Schmuelgen

    Américo Martinsda CNN

    A Corte Internacional de Justiça ordenou nesta sexta-feira (26), que Israel tome todas as medidas necessárias para evitar atos de genocídio contra os palestinos.

    O Tribunal, o mais alto órgão jurídico da ONU, também exige que Israel faça muito mais para proteger os civis na Faixa de Gaza, inclusive aumentando em muito o nível de ajuda humanitária, comida e remédios para o território palestino.

    Mas, a Corte não ordenou um cessar-fogo imediato, conforme pedido pelo governo da África do Sul.

    O país africano entrou com o processo alegando que Israel está cometendo um genocídio contra os palestinos. O Tribunal, no entanto, não entrou no mérito principal da questão.

    Ou seja, os juízes ainda vão investigar se o governo israelense está ou não cometendo atos de genocídio – uma decisão que pode demorar anos.

    Com a decisão de sexta-feira (26), a Corte frustrou as esperanças dos palestinos e de dezenas de países, entre eles o Brasil, que defendem um cessa-fogo imediato.

    Mas, também foi uma derrota jurídica parcial para Israel, que queria que os juízes rejeitassem a questão do genocídio completamente.

    O Tribunal concluiu que há um caso a ser investigado, de fato, sobre se os direitos dos palestinos estaão sendo negados em uma guerra que está causando graves danos humanitários.

    No fim, o tribunal tentou atender a todos os lados, mas também acabou desagradando a todos.

    Mas, mesmo assim, permitiu que cada parte envolvida criasse uma narrativa vitoriosa.

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recebeu bem a decisão, dizendo que se tratava da rejeição do que chamou de “discriminação” contra o seu país por outros órgaos da ONU.

    O ministro das Relações Exteriores palestino disse que a decisão foi um lembrete bem-vindo de que “nenhum estado está acima da lei”.

    Até o hamas comemorou: um de seus porta-vozes disse que a decisão contribui para “isolar a ocupação e expor seus crimes em Gaza”.

    Mas de resultado prático, quase nada. A guerra sangrenta, que já deixou cerca de 2 mil israelenses e mais de 26 mil palestinos mortos, vai continuar sem previsão para um cessar fogo.