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    Palestinos encaram decisão da Corte Internacional de Justiça tanto como vitória quanto retrocesso

    Tribunal decepcionou ao não ordenar a interrupção da ofensiva militar israelense em Gaza

    Palestinos deslocados, que fugiram de suas casas devido aos ataques israelenses, se aquecem perto de fogueira em dia chuvoso e frio em um acampamento, em Rafah26/01/2024REUTERS/Saleh Salem
    Palestinos deslocados, que fugiram de suas casas devido aos ataques israelenses, se aquecem perto de fogueira em dia chuvoso e frio em um acampamento, em Rafah26/01/2024REUTERS/Saleh Salem REUTERS

    Reuters

    Palestinos disseram que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) os decepcionou ao não ordenar a interrupção da ofensiva militar israelense em Gaza, mas por outro lado encaram a decisão como uma vitória que inspira a esperança de responsabilização do país.

    A corte internacional ordenou que Israel evite qualquer ato de genocídio contra os palestinos e faça mais para ajudar os civis em sofrimento. Não chegou, no entanto, a ordenar um cessar-fogo, como solicitado pela África do Sul, autora da ação na CIJ.

    As determinações da corte nesta sexta-feira foram transmitidas ao vivo em todo o mundo árabe e em Israel, que rejeita as alegações da África do Sul de que tenha cometido genocídio.

    Em um abrigo para pessoas deslocadas pelo bombardeio israelense no sul de Gaza, pessoas reuniam-se em torno de um rádio para acompanhar as notícias.

    “Nós, os desabrigados, as famílias enlutadas e aqueles que perderam suas casas, tínhamos a ambição de que o tribunal pedisse um cessar-fogo imediato”, disse Mustafa Ibrahim, um ativista de direitos humanos.

    “Apesar disso, o que aconteceu foi uma vitória”, acrescentou Ibrahim, morador da Cidade de Gaza que agora vive em um abrigo com a família de sete pessoas em Rafah, no sul do enclave.

    A África do Sul pediu à CIJ que determinasse medidas emergenciais para interromper os combates. Mais de 26.000 palestinos foram mortos na ofensiva israelense, segundo as autoridades da Faixa de Gaza, administrada pelo Hamas.

    Israel montou a ofensiva em resposta aos ataques transfronteiriços do Hamas em 7 de outubro, nos quais 1.200 pessoas foram mortas e cerca de 250 foram sequestradas, de acordo com dados israelenses.

    O ataque devastou grande parte da Faixa de Gaza e desalojou a maioria de seus 2,3 milhões de habitantes.

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, saudou a decisão da CIJ de não ordenar um cessar-fogo, mas rejeitou a alegação de genocídio como “ultrajante” e disse que Israel continuaria a se defender. Israel afirma que faz o máximo esforço para evitar vítimas civis.

    Jonathan Dekel-Chen, cujo filho é mantido refém em Gaza, disse que se sentiu encorajado pelo apelo da CIJ para a libertação dos prisioneiros.

    Embora a decisão tenha frustrado as esperanças palestinas de uma ordem vinculativa para interromper a guerra, ela também representou um revés legal para Israel, que esperava descartar o caso apresentado sob a convenção de genocídio estabelecida após o Holocausto.

    O primeiro-ministro Mohammad Shtayyeh da Autoridade Palestina sediada na Cisjordânia, disse que os palestinos esperavam que a decisão incluísse um cessar-fogo imediato.

    Para ele, no entanto, a determinação do tribunal “confirma o fim da impunidade de Israel e o coloca no banco dos réus como um criminoso de guerra”.

    A corte não se pronunciou, nesta fase, sobre o cerne do caso apresentado pela África do Sul — se houve genocídio em Gaza.

    Concluiu, contudo, que os palestinos estão protegidos pela convenção e admitiu analisar caso sobre se seus direitos estariam sendo negados em uma guerra que causa graves danos humanitários.

    O político palestino Mustafa Barghouti disse que a aceitação do caso pela CIJ “significa colocar Israel em julgamento por seus crimes pela primeira vez”.

    O Ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, disse que Israel não precisa receber lições de moral.

    (Reportagem de Ali Sawafta, em Ramallah, Nidal al-Mughrabi, em Doha, Emily Rose, em Jerusalém e Antony Paone, em Tel Aviv)