Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Águas oceânicas mais frias e salgadas do mundo esquentam e diminuem, diz estudo

    Essas águas profundas são parte vital da circulação oceânica global, transportando poluição de carbono causada pelo homem para o oceano profundo, onde permanece por séculos

    Manto de gelo no mar da Antártica
    Manto de gelo no mar da Antártica Foto: NASA/OIB/Jeremy Harbeck

    Laura Paddisonda CNN

    A água do oceano profundo na Antártica está esquentando e diminuindo, com consequências potencialmente de longo alcance para a mudança climática e os ecossistemas oceânicos profundos, de acordo com um relatório.

    A “água do fundo da Antártica” é a água mais fria e salgada do planeta. Essas águas desempenham um papel crucial na capacidade do oceano de atuar como um amortecedor contra as mudanças climáticas, absorvendo o excesso de calor e a poluição de carbono causada pelo homem. Elas também fazem circular nutrientes pelo oceano.

    Mas no mar de Weddell, ao longo da costa norte da Antártica, essa massa vital de água está em declínio, devido a mudanças de longo prazo nos ventos e no gelo marinho, segundo o estudo publicado segunda-feira (12) pela British Antarctic Survey (BAS).

    Os cientistas usaram décadas de dados coletados por navios e satélites para avaliar o volume, a temperatura e a salinidade dessa fatia do fundo do Oceano Antártico.

    “Algumas dessas seções foram visitadas pela primeira vez em 1989, tornando-as algumas das regiões mais abrangentes do Mar de Weddell”, disse Povl Abrahamsen, oceanógrafo físico da BAS e coautor, em nota.

    Eles descobriram que o volume das águas frias do fundo encolheu mais de 20% nas últimas três décadas. Eles também descobriram que as águas oceânicas com profundidade superior a 2 mil metros aqueceram quatro vezes mais rápido do que o resto do oceano global.

    “Costumávamos pensar que as mudanças no oceano profundo só poderiam ocorrer ao longo dos séculos. Mas essas observações importantes do Mar de Weddell mostram que as mudanças no abismo escuro podem ocorrer em apenas algumas décadas”, disse em nota Alessandro Silvano, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, e coautor do estudo.

    A razão pela qual essas águas profundas estão diminuindo é devido a mudanças na formação do gelo marinho causadas por ventos mais fracos, segundo o estudo.

    Ventos mais fortes tendem a empurrar o gelo para longe da plataforma de gelo, o que deixa áreas de água abertas para a formação de mais gelo. Ventos mais fracos significam que essas áreas são menores, retardando a criação de gelo marinho, de acordo com o estudo.

    O novo gelo marinho é vital para criar a água muito fria e salgada do Mar de Weddell. À medida que a água congela, ela expulsa o sal e, como a água salgada é mais densa, ela afunda para o fundo do oceano.

    As mudanças nessas águas profundas podem ter consequências de longo alcance. Elas são uma parte vital da circulação oceânica global, transportando poluição de carbono causada pelo homem para o oceano profundo, onde permanece por séculos, disse Silvano.

    Navio explora o Mar Weddell a Antártica desde a década de 1980 / Tim Kalvelage

    Se essa circulação profunda enfraquecer, “menos carbono pode ser absorvido pelo oceano profundo, limitando a capacidade do oceano de mitigar o aquecimento global”, disse Silvano à CNN.

    Os oceanos absorveram mais de 90% do excesso de calor do mundo desde a década de 1970 e absorvem quase um terço da poluição de carbono produzida pelo homem.

    Essa água fria e densa também tem um papel vital no fornecimento de oxigênio às águas profundas do oceano. Como e se os ecossistemas profundos poderiam se adaptar a menos oxigênio “não está claro”, acrescentou Silvano.

    Holly Ayres, pesquisadora do departamento de meteorologia da Reading University, no Reino Unido, que não participou do estudo, disse que a pesquisa da BAS é um passo à frente em nosso conhecimento sobre as águas oceânicas profundas na Antártica.

    “Combinar décadas de observações baseadas em navios e dados de satélite é um grande salto em nossa compreensão do processo de formação e pode ser útil em nossa compreensão de como as águas profundas da Antártica se formarão no futuro”, disse Ayres à CNN.

    Embora as mudanças identificadas pelo estudo sejam resultado da variabilidade climática natural, as mudanças climáticas também estão tendo impacto nas águas profundas da Antártica.

    Em um estudo de março, os cientistas descobriram que o derretimento do gelo está diluindo a salinidade do oceano e diminuindo a circulação da água do oceano profundo na Antártida. O fracasso em limitar a poluição que aquece o planeta pode levar ao colapso da circulação das águas profundas do oceano, com consequências potencialmente devastadoras para o clima e a vida marinha, segundo o relatório.

    O novo estudo da BAS é “um alerta precoce”, disse Shenjie Zhou, oceanógrafo da BAS e principal autor do estudo. “As mudanças em curso na camada de águas profundas da Antártica já estão acontecendo e não estão indo na direção que queremos”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

    versão original