Ainda há tempo de parar a guerra, diz embaixador do Brasil na ONU

Reunião emergencial da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) acontece nesta segunda-feira (28)

Artur NicoceliJoão Pedro Malarda CNN

São Paulo

Ouvir notícia

Ronaldo Costa Filho, embaixador do Brasil na ONU, falou em reunião emergencial da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece nesta segunda-feira (28), após a Rússia invadir a Ucrânia na última quinta-feira (24).

Ele afirmou que “ainda há tempo de parar a guerra… este é um momento decisivo para a ONU e para o mundo”.

Ele declarou também estar preocupado com a sucessão de eventos que levarão a um conflito mais amplo, caso os ataques da Rússia sobre a Ucrânia não pare. “Todos sofrerão, não só os envolvidos na guerra, como os que pedem uma diminuição da agressão”.

“Mesmo que o ‘Acordo de Minsk’ esteja sendo cada vez menos valorizado, não justifica o uso de força contra a soberania de um estado-membro da ONU”. O protocolo foi assinado em 5 de setembro de 2014, pela Ucrânia, da Rússia, da República Popular de Donetsk (DNR), e da República Popular de Lugansk (LNR).

O embaixador da Rússia da ONU, Vasily Nebenzya, enfatizou em reunião emergencial que a raiz das ações russas é a desobediência do ‘Acordo de Minsk’. Nobenzya destaca que houve um diálogo em Kiev, capital da Ucrânia, para reconsiderar o que assinaram no acordo, “foi necessário um diálogo”.

Ao longo do discurso, Costa Filho afirmou que “precisamos de soluções que possam ser implementadas sem continuar com a hostilidade e o efeito dominó que se espalhara pelo mundo todo”. Para ele, uma solução diplomática criará as condições para maior segurança para todos os envolvidos.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (28), o cientista política e pesquisador de Havard Hussein Kalout disse que a fala do embaixador “voltou a reafirmar o voto de condenação [no Conselho de Segurança da ONU], mostrando que o Brasil não é neutro”.

“Poucos países apoiam a Rússia, majoritariamente condenam a Rússia, e o Brasil com essa ambivalência fica em uma posição de bobo da corte com as falas do presidente”, diz.

Segundo Kalout, “o posicionamento do Brasil nos quóruns, a forma como vota está clara, a incoerência está na forma como o presidente passa informações de maneira que não condizem com a orientação dada aos seus embaixadores na hora de votar”.

Entenda o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia está aumentando a pressão sobre seu ex-vizinho soviético, ameaçando desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país. A mobilização provocou alertas de oficiais de inteligência dos EUA de que uma invasão russa pode ser iminente.

Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não chegaram a uma conclusão. Foi reconhecida pelo presidente russo Vladimir Putin, na segunda-feira (21), a independência de Donetsk e Luhansk, duas áreas separatistas ucranianas.

CNN verificou gravações feitas em toda a Ucrânia, onde ataques russos afetaram infraestrutura civil / CNN

A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.

(Veja o depoimento completo do embaixador no vídeo acima)

Ronaldo Costa Filho, embaixado do Brasil na ONU
Ronaldo Costa Filho, embaixado do Brasil na ONU / CNN/Reprodução

 

Mais Recentes da CNN