Aliados da Ucrânia avançam para acordo sobre garantias de segurança

Enviado dos EUA também afirmou que maior gestora de ativos do mundo está trabalhando em plano de recuperação econômica para o país europeu

Da CNN
Soldados ucranianos da 111ª brigada operam um Humvee americano equipado com um lançador Grad da era soviética na direção de Toretsk, Ucrânia, em 23 de janeiro de 2025
Soldados ucranianos da 111ª brigada operam um Humvee americano equipado com um lançador Grad da era soviética na direção de Toretsk, Ucrânia, em 23 de janeiro de 2025  • Wolfgang Schwan/Anadolu via Getty Images
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Steve Witkoff, enviado especial dos Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira (6) que os protocolos de segurança para a Ucrânia estão "praticamente concluídos". A fala foi feita após uma reunião em Paris com países europeus aliados aos ucranianos.

"Acreditamos que os protocolos de segurança estão praticamente finalizados, o que é importante para que o povo ucraniano saiba que, quando isso terminar, terminará para sempre", disse Witkoff em uma coletiva de imprensa conjunta, referindo-se à guerra.

Ele acrescentou que os aliados da Ucrânia também estão "muito, muito perto de concluir um acordo de prosperidade tão robusto quanto qualquer outro já visto em um país que saiu de conflitos como este".

"Acreditamos que uma economia robusta se correlaciona e funciona diretamente com esses protocolos de segurança", destacou, acrescentando que a BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, estava trabalhando no plano de recuperação econômica da Ucrânia.

Witkoff disse ainda que os EUA estão "preparados para fazer tudo o que for necessário para trabalhar com nossos colegas europeus" para alcançar a paz na Ucrânia.

O pronunciamento do americano foi feito ao lado de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

O presidente Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, destacou por sua vez que os aliados do país definiram como uma força de dissuasão europeia operaria após um cessar-fogo, bem como quais países participariam.

França e Reino Unido falam em "centros militares" na Ucrânia

Após a reunião da chamada "Coalizão dos Dispostos" nesta terça para discutir o assunto, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o Reino Unido e a França estabelecerão "centros militares" em toda a Ucrânia para apoiar as necessidades de defesa do país.

Isso aconteceria após um possível acordo de paz.

"Após um cessar-fogo, o Reino Unido e a França estabelecerão centros militares em toda a Ucrânia e construirão instalações protegidas para armas e equipamentos militares, a fim de apoiar as necessidades de defesa da Ucrânia", pontuou ele na coletiva de imprensa. Ele não forneceu mais detalhes.

Starmer discursou ao lado de Emmanuel Macron, presidente da França, Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, e de Steve Witkoff.

O premiê também afirmou que os aliados da Ucrânia concordaram em participar do "monitoramento e verificação liderados pelos EUA" de um possível cessar-fogo, bem como em "apoiar o fornecimento de armamentos para a defesa da Ucrânia".

Além disso, trabalhariam para "compromissos vinculativos" de apoio à Ucrânia em caso de um futuro ataque da Rússia.

Garantias assegurariam que Ucrânia não seja atacada novamente, diz Macron

Por sua vez, Macron afirmou que as garantias de segurança assegurarão que o país não será atacado novamente pela Rússia após a assinatura de um possível acordo de paz.

“Essas garantias de segurança são fundamentais para garantir que um acordo de paz jamais signifique a rendição da Ucrânia, e que um acordo de paz jamais represente uma nova ameaça para a Ucrânia”, disse.

O líder francês citou o histórico da Rússia de descumprimento de acordos de paz com seus vizinhos e destacou que os aliados da Ucrânia queriam garantir que o país fosse dissuadido de violar um futuro entendimento.

Soldado ucraniano mantém sua posição dentro de uma trincheira em meio à guerra entre a Rússia e a Ucrânia em Donetsk • Ignacio Marin/Agência Anadolu via Getty Images
Soldado ucraniano mantém sua posição dentro de uma trincheira em meio à guerra entre a Rússia e a Ucrânia em Donetsk • Ignacio Marin/Agência Anadolu via Getty Images

Reconstrução da Ucrânia ligada às garantias de segurança

Após o encontro, Friedrich Merz, chanceler alemão, afirmou que a reconstrução da Ucrânia está intrinsecamente ligada às garantias de segurança.

"A força econômica será indispensável para garantir que a Ucrânia continue a bloquear a Rússia de forma credível no futuro", comentou.

Itália fala em garantias no "estilo da Otan"

A primeira-ministra da Itália disse que foram feitos progressos em relação a um arcabouço para garantias de segurança nos moldes da Otan, a aliança militar ocidental.

"O ponto central das discussões foi o aprimoramento dos compromissos de segurança inspirados no Artigo 5 da Otan, um modelo há muito defendido pela Itália, que seria incorporado a um pacote mais amplo de acordos coordenados em estreita colaboração com Washington", ressaltou o comunicado divulgado pela assessoria de imprensa de Meloni.

Não houve maior explicação do que isso quer dizer -- visto que o Artigo 5 da Otan pontua que todos os países da aliança devem sair em defesa de um de deus integrantes em caso de ataque.

O comunicado italiano ressalta, porém, que a declaração adotada na reunião destaca a natureza voluntária da participação dos países em uma futura força multinacional e a exigência de que os procedimentos constitucionais nacionais sejam seguidos antes de fornecer assistência em caso de um novo ataque.

De toda forma, nenhuma tropa italiana será destacada em solo ucraniano, reiterou Meloni durante o encontro.