Ameaças de Trump "só trarão mais derrotas", diz chanceler do Irã
Abbas Araghchi criticou a política americana e citou o recorde da dívida e custos de juros em disparada nos Estados Unidos
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, descartou a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor sanções econômicas "devastadoras" à República Islâmica, classificando-a como uma "manobra de distração" e afirmando que tal medida "só trará mais derrotas".
"O chamado 'Dia D Econômico' é uma distração em relação à própria crise dos EUA: uma dívida sem precedentes e custos de juros em disparada", escreveu ele em uma publicação na rede social X.
The so-called “Economic D-Day” is a diversion from America's own crisis: unprecedented debt & surging interest costs.
Doubling down on failed policies will only bring further defeat—and enmity of Iranians. US economic terrorism threatens global economy and sovereignty worldwide pic.twitter.com/Qj5SzVBjvX
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) August 20, 2026
A dívida federal dos EUA atingiu o recorde de US$ 40 trilhões na terça-feira (18), segundo o Departamento do Tesouro — um marco sombrio que faz com que o país gaste mais com o pagamento de juros do que com a defesa nacional e 50% a mais do que com programas voltados para crianças.
"Insistir em políticas fracassadas só trará mais derrotas — e a inimizade dos iranianos. O terrorismo econômico dos EUA ameaça a economia global e a soberania em todo o mundo", acrescentou Araghchi.
Também reagindo à iniciativa de Trump, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que as decisões dos EUA se baseavam em "cálculos equivocados".
"Sempre que tentam encobrir um erro de cálculo, acabam preparando o terreno para um fracasso ainda maior", publicou Gharibabadi também no X.
Gharibabadi disse que a guerra não produziu os resultados desejados pelos Estados Unidos e que, por isso, "agora deram um novo nome ao seu próximo fracasso: 'guerra econômica'".
Os preços globais do petróleo permanecem elevados desde que os EUA e Israel entraram em guerra contra o Irã em fevereiro, o que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz.
Há uma preocupação crescente com uma crise no abastecimento de combustíveis, à medida que as reservas globais diminuem rapidamente.
Guerra no Oriente Médio
Milhares de homens foram mortos na guerra, que rapidamente envolveu as nações do Golfo e chocou os mercados globais, à medida que o Irã demonstrava sua capacidade de restringir a navegação pelo Estreito de Ormuz, que transportava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes de fevereiro.
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restabelecer o livre fluxo de navios pelo estreito, visando o fim do conflito, mas ambos ruíram rapidamente, mesmo com a retirada significativa de Israel dos combates.
O Irã tem suportado sanções econômicas severas e contínuas por quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã , limitar sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes religiosos.
As ameaças e anúncios do presidente americano nas redes sociais nem sempre são implementados conforme o planejado. Ele não especificou quais medidas os EUA tomariam nem nomeou nenhum país, embora o aviso pareça se estender aos aliados dos EUA que ajudaram a mediar as negociações de paz .



