Ameaças de Trump "só trarão mais derrotas", diz chanceler do Irã

Abbas Araghchi criticou a política americana e citou o recorde da dívida e custos de juros em disparada nos Estados Unidos

Lucas Lilieholm, da CNN
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, descartou a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor sanções econômicas "devastadoras" à República Islâmica, classificando-a como uma "manobra de distração" e afirmando que tal medida "só trará mais derrotas".

"O chamado 'Dia D Econômico' é uma distração em relação à própria crise dos EUA: uma dívida sem precedentes e custos de juros em disparada", escreveu ele em uma publicação na rede social X.

A dívida federal dos EUA atingiu o recorde de US$ 40 trilhões na terça-feira (18), segundo o Departamento do Tesouro — um marco sombrio que faz com que o país gaste mais com o pagamento de juros do que com a defesa nacional e 50% a mais do que com programas voltados para crianças.

"Insistir em políticas fracassadas só trará mais derrotas — e a inimizade dos iranianos. O terrorismo econômico dos EUA ameaça a economia global e a soberania em todo o mundo", acrescentou Araghchi.

Também reagindo à iniciativa de Trump, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que as decisões dos EUA se baseavam em "cálculos equivocados".

"Sempre que tentam encobrir um erro de cálculo, acabam preparando o terreno para um fracasso ainda maior", publicou Gharibabadi também no X.

Gharibabadi disse que a guerra não produziu os resultados desejados pelos Estados Unidos e que, por isso, "agora deram um novo nome ao seu próximo fracasso: 'guerra econômica'".

Os preços globais do petróleo permanecem elevados desde que os EUA e Israel entraram em guerra contra o Irã em fevereiro, o que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz.

Há uma preocupação crescente com uma crise no abastecimento de combustíveis, à medida que as reservas globais diminuem rapidamente.

Guerra no Oriente Médio

Milhares de homens foram mortos na guerra, que rapidamente envolveu as nações do Golfo e chocou os mercados globais, à medida que o Irã demonstrava sua capacidade de restringir a navegação pelo Estreito de Ormuz, que transportava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes de fevereiro.

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restabelecer o livre fluxo de navios pelo estreito, visando o fim do conflito, mas ambos ruíram rapidamente, mesmo com a retirada significativa de Israel dos combates.

O Irã tem suportado sanções econômicas severas e contínuas por quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.

Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã , limitar sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes religiosos.

As ameaças e anúncios do presidente americano nas redes sociais nem sempre são implementados conforme o planejado. Ele não especificou quais medidas os EUA tomariam nem nomeou nenhum país, embora o aviso pareça se estender aos aliados dos EUA que ajudaram a mediar as negociações de paz .

 

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