Americanos mais jovens duvidam dos principais símbolos dos EUA, diz Ipsos

Pesquisa da Ipsos revela divisão geracional nos EUA: jovens questionam símbolos nacionais e o caminho para o sonho americano

Da CNN Brasil
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Ao longo de 2026, a Ipsos realizou uma série de pesquisas para compreender como os americanos enxergam seu próprio país às vésperas da comemoração dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos. Clifford Young, presidente da Ipsos nos EUA, avaliou, ao WW, que os americanos mais jovens duvidam dos principais símbolos do país.

Os resultados revelam um panorama de consenso em alguns aspectos, mas também de profundas diferenças geracionais. Clifford explicou que o objetivo dos levantamentos foi entender menos o cenário político imediato e mais o que os americanos pensam sobre a própria nação.

"A gente fez uma série de pesquisas para entender menos a política atual, o cenário atual, entender muito mais o que os americanos acham sobre a América, sobre ser americano", afirmou Young.

Consenso sobre o sonho americano, mas divergências sobre como alcançá-lo

Segundo Young, há um amplo consenso entre os americanos sobre o chamado sonho americano — a crença de que os filhos terão uma vida melhor do que a dos pais. "Esse valor, essa crença está enraizada", disse ele.

No entanto, as diferenças aparecem quando o assunto é o contrato social, ou seja, os caminhos para se chegar a esse sonho. Os jovens se mostram mais críticos do que as gerações mais velhas em relação a esse aspecto.

Young destacou ainda que figuras históricas como George Washington e Abraham Lincoln são reconhecidas como importantes pela grande maioria dos americanos. Contudo, os mais velhos tendem a valorizar essas referências com mais intensidade do que os mais jovens.

"Há consenso, por um lado, sobre o que os Estados Unidos é, mas também há diferenças entre as gerações, onde nós temos americanos mais jovens realmente duvidando sobre aqueles símbolos principais de nosso país", pontuou.

Divisões profundas sobre a própria democracia

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna observou que, historicamente, os americanos sempre concordaram que os Estados Unidos representavam não apenas um país, mas uma ideia — ligada à independência, à constituição e à defesa da democracia. As divergências tradicionais giravam em torno de questões econômicas, como o papel do Estado na sociedade.

No entanto, o analista destacou que o cenário atual apresenta uma novidade preocupante: "Hoje existem discordâncias profundas a respeito da própria democracia, do funcionamento da democracia, do papel do presidente, dos freios e contrapesos."

Ele acrescentou que as divisões envolvem também a imprensa, a Justiça e o Congresso, enfraquecendo a ideia de um projeto comum de nação. "A ideia de um bem comum, de um projeto comum de nação e de uma mensagem comum está muito enfraquecida", concluiu.

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