
Análise: Brasil está frustrado com texto final da COP30
Analista Caio Junqueira, no Agora CNN, avaliou acordo final do evento, que não incorpora o "mapa do caminho" para transição fora dos combustíveis fósseis, proposta apresentada pelo Brasil e apoiada por mais de 80 países
O texto final da 30ª Conferência do Clima (COP30), aprovado neste sábado (22), gerou insatisfação na delegação brasileira por não incluir o chamado "mapa do caminho" para a transição energética com o fim do uso de combustíveis fósseis, proposta que havia sido apresentada pelo Brasil. Análise é de Caio Junqueira no Agora CNN.
"Brasil bem frustrado, sem dúvida nenhuma", destaca o analista da CNN. A proposta brasileira, que contava com o apoio de mais de 80 países, enfrentou forte resistência de nações árabes, principais produtoras de petróleo, da China e de países africanos. A China argumentou que ainda não é o momento adequado para uma eliminação completa dos combustíveis fósseis, especialmente considerando as necessidades dos países em desenvolvimento.
Articulação paralela
Em resposta à não inclusão do mapa do caminho no texto final, a Colômbia liderou uma iniciativa paralela bem-sucedida. O país conseguiu articular um grupo de nações para assinar uma declaração em Belém, que prevê a realização de uma conferência específica no próximo ano para discutir o fim dos combustíveis fósseis.
Entre os apoiadores desta iniciativa paralela estão países europeus como Dinamarca, Alemanha, França e Reino Unido. "Sem a presença dos maiores produtores e do maior emissor, fragiliza bastante. Mas não deixa de ser uma carta política", avalia Junqueira.
A COP30 abordou outros temas sensíveis além da questão dos combustíveis fósseis, incluindo medidas contra o protecionismo verde, metas mais ambiciosas para redução de emissões e questões climáticas gerais. A presidência brasileira da conferência optou por focar em avanços nestes outros pontos quando percebeu a impossibilidade de consenso sobre o mapa do petróleo.


