Análise: China é "ator oculto" em tratativas entre Brasil e EUA

Ao Bastidores CNN, analista de internacional da CNN Fernanda Magnotta explica a importância da China nas tratativas entre Brasil e Estados Unidos

Da CNN Brasil
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Os presidentes Lula e Trump se encontraram nesta quinta-feira (7), em Washington, nos Estados Unidos, após meses de expectativa em torno de uma agenda exclusiva entre os dois líderes. O encontro, realizado na Casa Branca, foi marcado por uma série de temas estratégicos que orientam a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

A analista de internacional da CNN Fernanda Magnotta avaliou o encontro como relevante em múltiplas dimensões. Segundo ela, o evento vai além do seu valor simbólico. "O pano de fundo desse encontro envolve a forma como Trump lidará com posições divergentes de outros países", afirmou Magnotta ao Bastidores CNN.

Termômetro para o mundo em desenvolvimento

Magnotta ressaltou que o encontro funciona como um termômetro para nações que se encontram em situação semelhante à do Brasil na nova ordem internacional. "Um gesto de pragmatismo do lado norte-americano significa muita coisa não só para o Brasil, mas para os países que precisem tratar de temas difíceis com os Estados Unidos", explicou a analista. Ela acrescentou que outros países observam atentamente como Washington age com Brasília antes de assumirem posições mais confrontativas.

Tripé da agenda bilateral: comércio, tecnologia e segurança

De acordo com Magnotta, três grandes eixos estruturam as negociações entre os dois países — comércio, tecnologia e segurança. No campo do comércio, o governo brasileiro busca evitar a imposição de novas tarifas. A analista alertou que, sem ação diplomática, o setor empresarial estimava que tarifas de até cerca de 40% poderiam ser retomadas em julho. "O presidente Lula se antecipa, vai lá tentar desarmar essa bomba para evitar que novas tarifas sejam arbitradas no caso do Brasil", disse ela.

No eixo tecnológico, Magnotta destacou o papel estratégico do Brasil como fornecedor de terras raras e minerais críticos, insumos essenciais para chips e semicondutores. "Nós somos os grandes provedores para além da China", afirmou, sublinhando que esse ativo confere ao Brasil maior peso nas negociações.

Já na frente da segurança, a analista apontou a preocupação do governo brasileiro com uma possível decisão norte-americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, o que, segundo ela, "vulnerabilizaria o Brasil do ponto de vista jurídico em várias frentes".

China como "ator oculto"

Ao concluir sua análise, Magnotta chamou atenção para um elemento que, embora não esteja explicitamente na pauta, permeia toda a negociação: a China. Segundo ela, a presença chinesa é o que mais preocupa os norte-americanos na América Latina, e o Brasil enfrenta o desafio de manter equilíbrio nessa relação triangular. Magnotta ainda sinalizou que temas como Cuba e Venezuela também devem fazer parte do que chamou de "o não dito" nas conversas entre os dois líderes.

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