Análise: EUA definiram a pauta; Brasil ajustou o tom

Fernanda Magnotta analisa o encontro entre Lula e Trump e destaca a sobriedade como marca do encontro bilateral, para o CNN 360º

Da CNN Brasil
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A analista Fernanda Magnotta avaliou, no CNN 360º, a reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, destacando que os Estados Unidos foram responsáveis por definir a pauta do encontro, enquanto o Brasil "ajustou o ton", marcado pela sobriedade. Para ela, a reunião entregou poucos resultados concretos de curto prazo, mas abriu caminhos para negociações futuras.

Segundo a analista, a palavra que melhor resume o encontro é "sobriedade", válida para ambos os lados. Magnotta relatou ter conversado com um diplomata americano experiente durante a coletiva de Lula, que descreveu o post de Trump sobre o encontro como "boring and normal" — entediante e normal. "E na sequência ele disse: o que é uma vitória absoluta para o Brasil", destacou Magnotta. Para ela, quanto mais protocolar e comedida for a manifestação americana nesse tipo de governo, melhor é a notícia para o Brasil.

Lula maneja narrativas estratégicas

Magnotta chamou atenção para o manejo narrativo de Lula ao longo do encontro. No tema das tarifas, Lula argumentou que o Brasil não pratica tarifas abusivas, enquanto os americanos sustentam o contrário. A analista explicou que a divergência depende do setor em análise: no caso do etanol, o Brasil pratica 18% de tarifas contra os Estados Unidos, enquanto a média geral é de apenas 2%. "Como diria o grande Roberto Campos, se você sentar no fogão e colocar a cabeça no freezer, na média você está bem", citou, ressaltando que médias não podem guiar negociações setoriais.

No tema do Irã, a analista destacou que Lula conduziu a conversa pelo caminho do papel histórico do Brasil, e não pelo da desavença. Lula teria dito que o acordo firmado anteriormente, sob a gestão Obama — desafeto histórico de Trump —, era pior do que o proposto pelo Brasil em 2010. "É levantar a bola para o Trump, falar o que o Trump quer ouvir", analisou Magnotta. Trump, segundo ela, vive afirmando que o acordo de Obama foi ruim e que precisa de uma alternativa.

Pauta limitada e frustração brasileira

De acordo com Magnotta, ficou evidente que Trump tinha como objetivo central discutir assuntos comerciais e econômicos, sem interesse em abordar segurança, geopolítica ou temas hemisféricos. Isso representou uma certa frustração para o Brasil, que havia montado uma comitiva com expectativa de avançar em pautas como narcotráfico, Cuba e Venezuela. "Os Estados Unidos definiram os limites do que seria ou não negociado, ficou claro que o Brasil não teve espaço para ampliar esse escopo", afirmou.

Por outro lado, Magnotta avaliou que o Brasil conseguiu "dar o tom" ao controlar a narrativa em pontos específicos. No campo da segurança, Lula defendeu um combate multilateral às drogas com viés social e foco na desigualdade, sinalizando o que considera inegociável.

Já no tema dos minerais críticos, tanto Lula quanto o ministro de Minas e Energia transmitiram a mensagem de que o Brasil busca diversificação de parcerias. "Os Estados Unidos são bem-vindos, mas o Brasil quer diversificação, pluralidade de diálogo e isso inclui também os Estados Unidos", resumiu Magnotta, acrescentando que isso significa que não haverá exclusividade e que negociações que exijam a exclusão da China, por exemplo, não serão aceitas.

China como "sujeito oculto" da reunião

Para a analista, a China foi o "sujeito oculto" do encontro. Magnotta destacou que Lula teria dito a Trump que o Brasil não escolheu a China por preferência, mas porque os Estados Unidos estavam desinteressados da agenda latino-americana e brasileira. "Os Estados Unidos não participam de certas licitações e, portanto, o Brasil acabou optando por quem tinha interesse no Brasil", parafraseou a analista, classificando a mensagem como "poderosa" e alinhada ao que Trump gosta de ouvir: que há espaço para os Estados Unidos, e que a aproximação com a China foi uma escolha objetiva, não ideológica.

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