Análise: Houve mudança no tom de Trump sobre ações do ICE

Lourival Sant'Anna, no CNN Prime Time, avalia que mudança na postura de Donald Trump sobre operações migratórias foi motivada por pesquisas que mostram insatisfação dos americanos

Da CNN Brasil
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Donald Trump mudou visivelmente seu tom em relação às ações do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) após a morte de um enfermeiro em Mineápolis no último fim de semana. Esta é a segunda morte de um cidadão americano na cidade neste mês, o que tem gerado forte repercussão nacional. Análise é de Lourival Sant'Anna no CNN Prime Time.

Na primeira declaração pública sobre o caso, Trump tentou minimizar as mudanças em Mineápolis, afirmando que a investigação continua. No entanto, houve uma clara alteração em seu discurso em comparação com sua postura inicial. No sábado, quando ocorreu a morte do enfermeiro, Trump havia postado imediatamente a imagem da arma que a vítima portava de forma oculta, além de cartuchos de munição.

 

Pesquisas influenciam mudança de postura

"Houve uma mudança visível no presidente Trump, incentivada pelas pesquisas que demonstram que a maioria dos americanos não está contente com os excessos cometidos pelo ICE e pela Patrulha de Fronteiras", explica Sant'Anna. Ted Cruz, senador republicano do Texas, estado conhecido por seu conservadorismo, afirmou que as ações do ICE precisavam ser "recalibradas". Gregory Abbott, governador do Texas, usou expressão semelhante.

O impacto político das operações migratórias tem sido significativo. O pré-candidato republicano à prefeitura de Mineápolis retirou sua candidatura, alegando ser "um absurdo" a atuação do governo federal na cidade. Essa insatisfação generalizada tem "intoxicado" o Partido Republicano, conforme análise apresentada.

Estratégia eleitoral e substituição de comando

Como parte de sua resposta à crise, Trump substituiu Gregory Bovino, comandante operacional da Patrulha de Fronteira, por Tom Homam, apelidado de "czar da fronteira". A análise sugere que Bovino foi transformado em "bode expiatório" pelos excessos cometidos, especialmente pela morte do enfermeiro Alex Pretti.

A estratégia de Trump parece ser manter sua linha dura em relação à imigração, considerada valiosa eleitoralmente, mas com ajustes para evitar desgaste político. A preocupação com as eleições de meio de mandato é evidente, com Trump temendo perder a maioria que tem na Câmara e no Senado caso a rejeição às operações migratórias aumente.

Impacto nas comunidades e na opinião pública

O caso tem gerado preocupação não apenas entre imigrantes ilegais, mas também entre imigrantes legais e cidadãos americanos. Conforme análise citada, as atitudes da Patrulha de Fronteira, antes restritas à fronteira com o México, agora afetam cidadãos americanos no norte do país, muito longe da fronteira.

"Ainda gerou mais comoção por ser a segunda morte e porque ele foi morto a queima roupa por nove agentes do ICE enquanto já estava caindo, inclusive pelas costas", destacou o Sant'Anna.

Esta mudança na localização e nas vítimas das operações tem alterado a percepção pública. Anteriormente, as ações eram vistas como distantes por muitos americanos, especialmente eleitores republicanos, por ocorrerem na fronteira e afetarem pessoas tentando entrar ilegalmente no país. Agora, com cidadãos americanos sendo mortos em cidades do norte, a realidade das operações se aproximou do cotidiano de mais eleitores, gerando questionamentos sobre os métodos empregados.

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