Análise: Interesse dos EUA no Brasil inclui energia e defesa
Ao CNN Novo Dia, analista de Clima e Meio Ambiente da CNN Pedro Côrtes,Pedro Côrtes explica quais os interesses entre os dois países
Após reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump, que ocorreu em Washington, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira (7), o Brasil se posicionou como um potencial parceiro estratégico dos Estados Unidos no fornecimento de minerais críticos e terras raras.
Ao CNN Novo Dia desta sexta-feira (8), o analista de Clima e Meio Ambiente Pedro Côrtes explicou quais são os principais setores americanos que pressionam por avanços nessas negociações.
Setor de defesa lidera demanda americana
Segundo Côrtes, o setor de defesa dos Estados Unidos é o principal interessado no acesso a novas fontes de terras raras. "É um setor fortemente dependente de terras raras que são produzidas pela China", explicou o analista.
"Os EUA utilizam essas terras raras para a fabricação de mísseis, sistemas de detecção por satélite e outros equipamentos militares", acrescentou Côrtes. Para o especialista, os Estados Unidos enfrentam pressão para repor seu arsenal de mísseis, que teria sido parcialmente consumido em conflitos recentes — como a guerra no Irã.
Côrtes também apontou que, embora os Estados Unidos tenham ampliado sua produção na mina de Mountain Pass, na Califórnia, ainda não dominam toda a tecnologia necessária para o refinamento das terras raras. "Há dependência do fornecimento da China, seja do minério, seja do material processado", explicou o analista. Diante disso, Washington busca novos parceiros para garantir um suprimento contínuo e independente de questões geopolíticas.
Brasil detém segunda maior reserva mundial
De acordo com Côrtes, o Brasil possui reservas suficientes para suprir a demanda americana em termos de minério bruto, embora ainda não detenha a tecnologia necessária para o processamento. "Nós precisaríamos ou importar essa tecnologia ou desenvolvê-la", afirmou o analista. Côrtes ressaltou que o país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China.
Recado estratégico para a China
Côrtes avaliou que o encontro entre Lula e Trump também serve como um sinal direto à China. Segundo ele, ao estabelecer parcerias com países que têm relações estratégicas com Pequim — como o Brasil —, os Estados Unidos sinalizam que estão reduzindo sua dependência e ampliando sua influência na América Latina.


