Análise: Legitimar ação do Hezbollah é único jeito de viabilizar diálogo

Fernanda Magnotta avalia que reconhecer a atuação do grupo extremista é essencial para viabilizar negociações, apesar dos desafios existentes

Da CNN Brasil
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A analista de Internacional da CNN Brasil, Fernanda Magnotta, avaliou que legitimar a ação do Hezbollah é o único caminho possível para viabilizar um diálogo entre o grupo extremista e Israel, apesar do ceticismo da comunidade internacional quanto à eficácia de um novo acordo de cessar-fogo.

Durante o CNN 360° desta quinta-feira (16), Magnotta explicou que o principal obstáculo para uma resolução efetiva do conflito é a percepção mútua de ameaça existencial entre as partes. "Não se trata de uma disputa pontual. É um conflito que está relacionado a aspectos identitários, elementos de longo prazo associados a uma lógica de sobrevivência e a uma série de interesses políticos particulares", afirmou.

A especialista apontou que existem alguns fatores que poderiam contribuir para um resultado diferente em comparação com o acordo de 2024. Entre eles estão uma pressão internacional ampliada, com os Estados Unidos mais engajados devido ao passivo criado no contexto do Irã, e a possibilidade de uma escalada muito mais danosa do que a observada anteriormente, o que reorganiza a lógica de custos do enfrentamento.

Outro elemento é o cansaço estratégico: "Há um desgaste militar e econômico que vem sendo sentido por todo mundo, por todos os atores desse conflito e populações que vão ficando cada vez mais sensíveis a esses elementos que estão associados ao racional da guerra", destacou Magnotta.

A analista sugeriu que, em vez de buscar uma demanda considerada irrealista, que seria o desarmamento total do Hezbollah, poderia haver espaço para alternativas como a criação de zonas tampão ou limitação de armamentos com mecanismos de verificação periódica. "Nós temos pressões econômicas importantes principalmente no Líbano e, claro, o próprio Irã tentando ganhar tempo nesse conflito com os Estados Unidos", afirma a analista.

Magnotta destacou a complexidade da situação política do governo libanês, comparando-a com cenários brasileiros: "A política do Rio de Janeiro é para amadores perto da política nacional do Líbano, que é um país muito complicado do ponto de vista da sua governança, com coalizões não só de natureza política bastante peculiares, mas também pela composição demográfica e étnica, é um país muito cmplicado".

Ela explicou que o Hezbollah ganhou ainda mais relevância ao se transformar num ator político institucionalizado, estando representado dentro do governo e tendo legitimidade perante parte significativa da população.

Magnotta observa que um dos grandes problemas envolvendo as negociações é que o Líbano, enquanto Estado, muitas vezes não consegue garantir os seus interesses nacionais em detrimento daquilo que o Hezbollah planeja ou pleiteia. Segundo ela, é como se existissem "duas vozes dissidentes que falam em nome de uma mesma instituição", com o governo libanês frequentemente ficando em segundo plano.

Para Magnotta, o governo do Líbano tenta se manter numa linha fina de equilíbrio, pois tem interesse em sair da situação de alvo do conflito, mas possui capacidade de barganha muito limitada.

"Para viabilizar o acordo tem que legitimar ou reconhecer ou permitir a ação do Hezbollah", concluiu, ressaltando que isso não é necessariamente uma boa notícia para o governo israelense ou para a comunidade internacional, mas representa o único caminho para possibilitar algum diálogo.

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