Análise: Movimentos geopolíticos e econômicos de Trump não fazem sentido
Lourival Sant'Anna, no CNN Prime Time, afirma que ações do presidente dos EUA são guiadas por questões culturais e psicológicas
O analista de Internacional da CNN Brasil, Lourival Sant'Anna, analisou os recentes movimentos geopolíticos e econômicos relacionados ao acordo entre Estados Unidos e Otan sobre a Groenlândia. Segundo ele, as decisões tomadas por Donald Trump, presidente norte-americano, não fazem sentido do ponto de vista prático.
Para o CNN Prime Time, Sant'Anna esclareceu que o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, não tem mandato para negociar as riquezas naturais da Groenlândia, território autônomo associado à Dinamarca.
O analista destacou que explorar os minérios estratégicos da Groenlândia seria comercialmente inviável. "É um território inóspito, 80% dele é coberto por gelo o tempo inteiro. Existem minérios estratégicos na Groenlândia, mas existem outros lugares nos quais é comercialmente mais viável explorá-los", afirmou Sant'Anna, acrescentando que o mesmo se aplica a recursos como petróleo e gás.
Motivações por trás das decisões
Para Sant'Anna, as ações de Trump são guiadas por questões culturais e psicológicas. "As pessoas ficam perdidas quando olham os movimentos do Trump, não fazem sentido nem do ponto de vista econômico nem do ponto de vista geopolítico", analisou.
O especialista interpreta as declarações de Trump como parte de uma estratégia política mais ampla. "São movimentos culturais, políticos e psicológicos, no sentido de atacar a elite europeia, atacar os valores liberais, o que eles chamam de globalismo", explicou Sant'Anna, concluindo que "em termos econômicos e geopolíticos ele não é capaz de bancar essas posições".
O acordo mencionado reafirma o status quo estabelecido desde 1951, quando os Estados Unidos obtiveram permissão para operações militares na Groenlândia. Sant'Anna lembrou que entre 1941 e 1945, os EUA ocuparam militarmente a região para proteger o Atlântico Norte de uma invasão nazista, após a Alemanha ocupar a Dinamarca, mas não significava que os americanos eram donos do território.


