Foco de Trump na Groenlândia é pessoal, econômico e geoestratégico; entenda
Especialista em Direito Internacional explica que interesses de Trump no território são pessoais, econômicos e geoestratégicos, incluindo exploração de minérios e rotas comerciais
Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (21) que definiu uma "estrutura" para um acordo sobre a Groenlândia e o Ártico durante reunião com Mark Rutte, secretário-geral da OTAN. O anúncio ocorre em meio a tensões com países europeus sobre possíveis tarifas comerciais que estavam previstas para entrar em vigor a partir de 1º de fevereiro.
De acordo com Priscila Caneparo, especialista em Direito Internacional, em entrevista ao CNN 360°, a mudança de postura de Trump é resultado da firmeza demonstrada pelos líderes europeus. "A instabilidade do Trump faz com que a gente não consiga prever o que vai acontecer na próxima semana. Porém, precisamos analisar que o que aconteceu hoje também é reflexo de como a Europa se posicionou nessa semana", explicou Caneparo.
A especialista destacou que até recentemente a Europa adotava uma postura mais conciliatória, o que Trump interpretava como sinal de fraqueza. "A Europa estava quase se curvando às vontades do Trump, com muita diplomacia tradicional. Mas a gente sabe que ele entende isso como fraqueza, e instituições fracas e países fracos, Trump não respeita", afirmou. Segundo ela, a mudança ocorreu quando os países europeus passaram a adotar um posicionamento mais firme, suspendendo negociações de acordos comerciais enquanto persistisse a disputa sobre a Groenlândia.
Interesses estratégicos na Groenlândia
Caneparo explicou que Trump possui três principais interesses na Groenlândia. O primeiro seria pessoal, relacionado ao desejo de marcar seu nome na história americana. "Os Estados Unidos, em 4 de julho, faz 250 anos de independência e o Trump quer cunhar seu nome na história. Ele entende que ao fazer isso, conquista mais território. O Trump tem um pensamento do século XIX, basicamente", analisou.
O segundo interesse seria econômico, relacionado à exploração de terras raras. "Se porventura houver o degelo da Groenlândia, podemos observar que o território só vai perder para a China em detenção de terras raras e minérios raros", destacou a professora. O terceiro ponto seria geoestratégico, uma vez que o degelo do Ártico facilitaria rotas comerciais para os Estados Unidos.
A especialista também lembrou que os Estados Unidos já possuem um acordo da década de 1950 com a Dinamarca, que prevê a possibilidade de bases militares americanas na Groenlândia. "Os Estados Unidos hoje só têm uma base militar na Groenlândia porque eles querem. Se eles quiserem aumentar o nível, eles podem de fato", alertou Caneparo.
Sobre o possível acordo mencionado por Trump, a professora afirmou que ainda não se sabe exatamente o que estará incluído. "Não sabemos se vão estar no acordo ou se, de fato, os Estados Unidos conseguiu comprar a Groenlândia. Eu acho pouco provável, mas advindo do Trump, não acho impossível", concluiu.


