Análise: Não é todo terremoto que gera tsunami; entenda
Após terremoto de magnitude 7,5 no Japão, analista Pedro Côrtes, no CNN Novo Dia, explica que tsunamis dependem do tipo de movimento entre placas tectônicas, principalmente da oscilação vertical
O forte terremoto de magnitude 7,5 que atingiu a costa nordeste do Japão na segunda-feira (8) gerou alertas de tsunami que posteriormente foram retirados pelas autoridades. O fenômeno, que poderia ter causado ondas de até 70 centímetros, não se desenvolveu com a intensidade esperada. Pedro Côrtes, analista de Meio Ambiente da CNN e professor da USP (Universidade de São Paulo), explica, no CNN Novo Dia, os motivos de nem sempre as tsunamis acontecerem.
"Esse fenômeno do deslocamento em massa da água depende do tipo de movimentação entre as placas tectônicas", esclarece o analista. Côrtes detalha que o Japão está localizado em uma região onde a placa do Pacífico entra por debaixo da placa euroasiana. "Essas placas colidem e quando a tensão entre as rochas fica muito intensa, ocorre a ruptura e a onda de choque do terremoto", afirmou.
O terremoto registrado na segunda-feira ocorreu a 50 quilômetros de profundidade, o que significa uma camada considerável de rochas para absorver o impacto, resultando em danos menos significativos.
Como se forma um tsunami
Côrtes explicou que os tsunamis estão relacionados ao movimento das placas tectônicas. Movimento horizontal entre placas é comum em terremotos, mas "a oscilação vertical é que provoca um deslocamento muito grande de água e aí sim provocam as ondas em superfície gerando tsunami".
O professor também mencionou que tsunamis podem se deslocar a velocidades impressionantes. "O tsunami em alto mar caminha a uma velocidade em torno de 700 quilômetros por hora. As pessoas não percebem. É uma onda muito pequena que passa rapidamente. O problema é quando ele vai chegando na costa, onde você tem uma diminuição da profundidade, aí geram essas ondas muito grandes", destaca.
Sobre o alerta emitido e posteriormente cancelado no Japão, o analista explica que o tsunami esperado atingiria no máximo 70 centímetros. "Pode provocar danos significativos. Imagine uma cidade costeira, de repente o mar sobe 70 centímetros e invade com força a área urbana. Pode causar danos, mas não é um tsunami significativo", pontuou.
O especialista alertou ainda para a possibilidade de ocorrência de réplicas nos próximos dias ou semanas, porém com intensidade menor.


