Análise: Pesquisa CNN revela 5 pontos do 1° ano do novo governo Trump

Conteúdo Exclusivo: De política externa até a forma de lidar com casos nacionais, presidente promoveu políticas que testaram os americanos

Aaron Blake, da CNN
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está completando o primeiro ano de seu segundo mandato. Na última semana, a CNN publicou uma série de pesquisas sobre a opinião dos americanos a respeito de seu desempenho até o momento. Mas os resultados não são animadores para Trump.

Com todos os resultados agora disponíveis, podemos elencar cinco principais pontos a serem destacados a partir das pesquisas.

Trump busca aprovação nos lugares errados

Donald Trump passou a maior parte do seu primeiro ano de volta à presidência promovendo políticas que testaram os americanos. Mas isso é especialmente perceptível agora.

Mesmo com índices de aprovação diminuindo, ele continua se concentrando em iniciativas profundamente divisivas que só parecem agravar sua crise política.

A nova tentativa de adquirir a Groenlândia é talvez o exemplo mais marcante. Uma nova pesquisa da CNN corrobora outras ao constatar que 75% dos americanos se opõem à tentativa de assumir o controle da ilha, que é um território autônomo da Dinamarca, integrante da Otan, a aliança militar ocidental.

Embora alguns republicanos pareçam ter se tornado mais favoráveis ​​à ideia, quase metade (47%) ainda se opõe a ela. E impressionantes 82% dos eleitores independentes são contra.

É importante ressaltar que esta questão não se refere à tomada da Groenlândia pela força militar, mas sim à sua conquista por todos os meios necessários.

Por outro lado, a repressão de Trump com o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega, na sigla em inglês) em Minneapolis não é tão impopular, mas também ficou claro que representa um problema.

Os americanos afirmaram, por uma margem de 56% a 26%, que o agente do ICE que atirou e matou uma mulher em Minneapolis usou força inadequada, embora o governo tenha defendido o agente e sequer tenha aberto uma investigação completa sobre suas ações.

Ainda mais preocupante é que aproximadamente metade — 51% — disse que as ações do agente foram inadequadas e que elas “refletem problemas maiores na forma como o ICE opera”.

Eles também disseram, por uma margem de 20 pontos percentuais, que as ações do ICE estão tornando as cidades menos seguras (51%) em vez de mais seguras (31%).

Isso sugere que a maioria dos americanos vê isso como um problema sistêmico.

Por outro lado, a pesquisa também reforça algo que observamos em outros lugares: que os americanos prefeririam que Trump simplesmente se concentrasse em outra coisa completamente diferente, principalmente na redução dos preços.

Embora a maioria tenha indicado que a forma como Trump lidou com as deportações e suas ações no cenário mundial "foram longe demais", 64% dizem que ele "não foi longe o suficiente" na tentativa de reduzir o preço dos bens de consumo do dia a dia.

Isso inclui 69% dos eleitores independentes e quase metade (48%) dos republicanos.

Grande parte dos americanos acha que Trump foi "longe demais"

A pesquisa da CNN revela as seguintes porcentagens de entrevistados que acreditam que Trump “foi longe demais” em diversas áreas:

  • 51% em relação à mudança no funcionamento do governo;
  • 52% em relação à deportação de imigrantes irregulares;
  • 55% em relação ao uso das Forças Armadas para atingir seus objetivos;
  • 57% em relação ao corte de programas federais;
  • 58% em relação ao uso do poder presidencial;
  • 59% em relação à tentativa de usar a influência dos EUA sobre outros países;
  • 62% em relação a mudanças em instituições culturais como o Smithsonian e o Kennedy Center, que Trump recentemente tentou renomear para Trump Kennedy Center, sem autorização legal.

Uma das razões pelas quais Trump teve dificuldades em seu primeiro mandato, segundo a opinião popular, foi simplesmente o cansaço das pessoas com as constantes controvérsias e provocações.

Assim, Joe Biden concorreu contra Trump em parte com a intenção de ser mais, digamos, tranquilo. “Lembra de quando você não precisava pensar no presidente todos os dias?", dizia um narrador em um anúncio da campanha de Biden em 2020.

Trump tem sido ainda mais estridente em seu segundo mandato. E os americanos, mais uma vez, parecem estar pedindo menos.

Política externa de Trump inspira pouca confiança

A Groenlândia é uma peça-chave de sua estratégia para se afirmar no cenário mundial e, mais especificamente, para dominar o Hemisfério Ocidental. Isso frequentemente envolve ameaças de intervenção militar.

Já sabemos há algum tempo que os americanos não estão realmente em sintonia. Mas esta pesquisa sugere algo ainda mais preocupante para Trump: eles não o consideram particularmente bom nisso.

A pesquisa da CNN tem perguntado repetidamente nos últimos anos se os americanos acreditam que Trump é “um líder mundial eficaz”.

Os americanos estavam bastante divididos sobre essa questão em 2023. Em março de 2025, a discordância era de 8 pontos percentuais (54% a 46%). Hoje, a discordância é de 17 pontos percentuais (58% a 41%).

E 57% dos americanos dizem que Trump “prejudicou a reputação dos Estados Unidos no mundo”, um aumento em relação aos 53% de julho.

Esses não são os números de um presidente cuja reputação internacional é altamente valorizada pelos americanos. Uma coisa é tomar decisões de política externa que os americanos não querem; outra é as pessoas acharem que essas decisões são contraproducentes e prejudicam nossa reputação.

Democratas podem se encorajar em 2026, mas não devem se acomodar

A pesquisa mostra resultados um tanto divididos em relação às eleições de meio de mandato de 2026, embora seja claramente positiva para os democratas.

Ela demonstra que os democratas lideram a intenção de voto para o Congresso — que mede qual dos dois principais partidos os eleitores tenderiam a apoiar em uma futura eleição — por 5 pontos percentuais: 46% a 41% entre os eleitores registrados.

É uma margem considerável, mas, sem dúvida, poderia ser maior, dados os problemas enfrentados por Trump. Parece, no mínimo, possível que a imagem historicamente desgastada do Partido Democrata esteja prejudicando a sigla.

Mas outros aspectos da pesquisa são mais encorajadores para o Partido Democrata. Especificamente, o "entusiasmo".

A pesquisa mostra que 66% dos eleitores democratas e simpatizantes do Partido Democrata dizem estar "altamente motivados" para votar este ano, em comparação com 50% dos eleitores republicanos e simpatizantes do Partido Republicano.

Isso ocorre depois que o Partido Republicano obteve uma vantagem de 5 pontos percentuais nessa questão pouco antes da eleição de 2024.

O "entusiasmo" é uma questão importante para o Partido Republicano, visto que vimos repetidamente como os apoiadores de Trump são desproporcionalmente menos propensos a votar em eleições nas quais ele não é candidato. Mas isso agora é extremamente relevante.

Problema do Caso Epstein não vai desaparecer

Os eventos das últimas semanas ofuscaram em grande parte o que aconteceu no mês passado com os arquivos do caso de Jeffrey Epstein.

O Departamento de Justiça dos EUA ainda não divulgou a grande maioria do material que possui. E já perdeu o prazo definido pelo Congresso.

E a nova pesquisa é um lembrete de que esse problema não vai desaparecer.

Apenas 6% dos americanos disseram estar satisfeitos com o nível de transparência que vimos até agora por parte do governo, em comparação com 49% que se disseram insatisfeitos.

Há alguns sinais de que as pessoas estão mudando de opinião, principalmente os republicanos. A pesquisa mostra que 53% deles não escolheram nenhuma das opções e disseram que são indiferentes, enquanto outros 14% afirmaram não ter ouvido o suficiente para formar uma opinião.

Isso é bastante notável, visto que, nos últimos anos, era principalmente os republicanos que se concentravam nessa história, pelo menos antes de se tornar um problema para Trump.

Mas é evidente que o ceticismo persiste. De fato, 42% dos republicanos e 67% da população em geral dizem que o governo está "retendo intencionalmente informações que deveriam ser divulgadas".

Em outras palavras, a grande maioria dos americanos, e até mesmo muitos republicanos, ainda acredita que se trata de uma conspiração para encobrir algo.

E, considerando que o governo tem muito a divulgar — um documento judicial recente pontuou que foram publicados apenas cerca de 1% de todos os arquivos — isso é um problema.

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