Análise: Temor de intervenção reaproxima Lula e Maduro
Segundo análise de Isabel Mega, no CNN Novo Dia, em ligação de 15 minutos, Lula expressou preocupação com ações dos EUA na Venezuela; Brasil busca se posicionar como mediador da crise e garantir soberania regional
Após mais de um ano sem contato direto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ditador venezuelano Nicolás Maduro conversaram por telefone durante aproximadamente 15 minutos na semana passada. A ligação, que inicialmente seria sigilosa, teve como tema central a preocupação com possíveis ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. A análise é de Isabel Mega, no CNN Novo Dia.
"Essa reaproximação é bastante simbólica e reflete uma postura pragmática da diplomacia brasileira. O que o governo brasileiro tem como preocupação iminente é que haja algum tipo de intervenção militar americana na Venezuela. E aí é uma questão também de soberania do país e soberania regional", explicou.
O Brasil tem buscado se posicionar como mediador do conflito entre Venezuela e Estados Unidos, ainda que não tenha recebido abertura formal dos americanos para ocupar esse papel. A preocupação com uma possível escalada militar levou o governo brasileiro a intensificar os contatos diplomáticos, tendo Lula conversado recentemente tanto com Maduro quanto com Donald Trump.
Interesse regional e fronteira compartilhada
A fronteira entre Brasil e Venezuela é considerada uma das mais perigosas e porosas da região, segundo diplomatas. Este fato reforça o interesse direto do Brasil em acompanhar de perto os desdobramentos da crise venezuelana. "Temos um interesse direto em saber o que está acontecendo com o país vizinho. E nesse sentido, a visão é de que não fazia mais sentido você ter uma relação tão distanciada assim", destacou Mega.
O diálogo entre Lula e Maduro ocorre após um período de distanciamento marcado por episódios tensos, como quando Maduro ameaçou um "banho de sangue" caso não vencesse as eleições e Lula respondeu que quem perde eleição leva "banho de votos", sendo rebatido pelo venezuelano com a sugestão de que o brasileiro tomasse "um chá de camomila".
Embora o Brasil não tenha escolhido um lado no conflito, fontes da diplomacia indicam que o país não aceitará interferências na soberania de nações da região. A posição brasileira busca equilibrar as relações tanto com a Venezuela quanto com os Estados Unidos, com quem recentemente houve aproximação após a revogação parcial do tarifaço americano sobre produtos brasileiros.


